O que tem dentro de um gibi?

28 ago
Olá galera da FRIDAY! É sempre bacana poder falar de algo que gostamos, e História em Quadrinhos é um dos meios de entretenimento que mais me agradam. Sei que rola um certo mistério sobre o que leva um marmanjo a juntar pilhas e mais pilhas de papel muitas vezes por anos, mas na verdade não tenho a intenção mudar a opinião alheia sobre um cara com um gibi na mão, mas posso lhes dar uma ideia mais ampla sobre o que ele tem nas mãos.
 

Curiosamente as histórias em quadrinhos surgiram antes dos gibis e eram publicadas em tiras de jornais sensacionalistas de Nova York. Yellow Boy estreou ainda em 1895, e em pouco tempo todos queriam algo similar em suas páginas.
A popularização do gênero levou a criação de muitos personagens (Flash Gordon, Fantasma, Tarzan) mas com o tempo surgiu uma dificuldade: o quê fazer quando se perdia o jornal e por consequência um pedaço da história que era publicada ao longo da semana?

Aí alguém teve a puta sacada de reunir este material em uma revista. Pronto, a nona arte estava consolidada! O novo formato permitiu ainda mais liberdade aos criadores e logo mais, na virada dos anos 30 para os 40 surgiriam os ícones da indústria, personagens como Superman e Batman que abriram as portas para um gênero que se perpetuaria no imaginário popular, os dos Super-Heróis.

Sem muita referência senão a literatura, as histórias eram bem pesadas e era comum ver o Batman enfiando bala nos bandidos e o Superman quebrando braços ou arremessando um criminoso, mas levando em conta o público-alvo (jovens e crianças), reconsideraram e estabeleceram um padrão mais “moral” para os combatentes do crime, uma amenização que traria Robin, o primeiro de muitos parceiros mirins.

Esta facilidade de abordar os jovens não demoraria a chamar a atenção, e por vezes tornou os quadrinhos um veículo um tanto panfleteiro e não faltaram oportunidades de transmitir ideologias políticas contra o Nazismo, algo que foi muito recorrente nos anos 40.
Nos anos 50 um livro chamado “A Sedução dos Inocentes” levantou questões polêmicas para a época, com homossexualismo oculto nas histórias, além inúmeras “condutas” inadequadas segundo a ótica um tanto conservadora do autor do livro. Por consequência, os anos 50 e 60 foram talvez os anos mais estáticos em termos criativos.

Nos anos 70 a juventude estava em alta, a liberdade, as escolhas, o idealismo. Não demorou muito para isso parar no papel, Stan Lee e sua Marvel criaram mais que heróis, criaram espelhos, pois era muito fácil se ver em um dos democráticos personagens da editora: um jovem estudante e suas preocupações se pendurando em teias por Nova York; um doutor que por escolhas erradas se tornou um imenso gigante verde; um herói cego que defendia seu bairro vestido de demônio; o sugestivo Pantera Negra fazendo referência ao movimento negro norte-americano; jovens mutantes que não se enquadravam nos padrões da sociedade. 

 

Que sacada! Não demorou muito para a editora mais antiga, a DC Comics, permitir aos seus criativos autores ousarem também. Radicalmente, o Arqueiro Verde descobre que seu pupilo é dependente químico de heroína, levando o herói a entender que nem sempre basta prender o supervilão, é necessário entender a sociedade em que vivemos. Para isto decidiu convocar seu amigo Lanterna Verde a uma introspectiva missão Estados Unidos a dentro, abordando os mais variados temas sociais e aproximando mais ainda seus personagens da realidade. Nesta época também surgiria uma parceria que se tornou popular: Cinema e Quadrinhos, em 1978 a adaptação Superman chegava aos cinemas.

Realismo seria a palavra de ordem dos anos 80, a (talvez) época mais criativa do gênero. Sabemos que o medo vende. Se hoje o apocalipse e o terrorismo são explorados a exaustão pelo cinema com seus filmes-catástrofes, o temor deste período era a Guerra Fria entre EUA e União Soviética. O comunismo e/ou governos opressores eram perspectivas muito bem estruturadas nas mentes das pessoas, não por menos, os EUA tinham acabado de se livrar do presidente Nixon, o único que foi retirado do cargo, exatamente por defender práticas pouco democráticas.

Verdadeiros mitos da indústria surgiram com obras atemporais, políticas, densas, dramáticas. Alan Moore com Watchmen, V de Vingança, Monstro da Pântano e Constantine; Frank Miller com 
300, Sin City, Elektra Assassina, Demolidor (A Queda de Murdock) e Batman (O Cavaleiro das Trevas e Batman Ano 1) são apenas dois exemplos da época que redefiniu a forma como viríamos as histórias em quadrinhos. Pois se os autores anteriores haviam criado o ciclo de nascer, se desenvolver e até ter filhos, era chegada a hora de encerrá-lo, trazendo dor e morte às histórias. 

A pioneira foi a Fênix dos X-Men, seguida por muitas mais. Para ficar nos famosos, cito Elektra, Flash, Supergirl, Robin e mesmo não sendo uma morte, um tiro efetuado pelo Coringa prendeu a Batgirl a uma cadeira de rodas numa das obras mais marcantes da época, A Piada Mortal.

Uau, o que faltava para aproximar e atrair ainda mais leitores? A resposta foi dada por um grupo de desenhistas e roteiristas, que numa inciativa corajosa criaram uma editora independente, ou seja, sem restrições (inclusive morais).

Estes novos heróis, tais como Spawn, Witchblade dentre outros, ao contrário do que estávamos habituados, não tinham necessariamente boas intenções, tão pouco seguiam códigos de éticas e coisas do tipo, eram implacáveis, matavam e viviam intensamente as mais distintas situações. Este posicionamento fez um imenso sucesso e acabou fazendo a DC e Marvel redirecionarem seus esforços para também usufruir deste novo perfil de leitor.

Na Marvel, Wolverine foi alavancado a uma condição de astro, a máquina de matar dos X-Men foi protagonista de muitas histórias solo, principalmente por não ter pudor. Na DC, lar de heróis mais puritanos, surgiu um novo universo chamado Vertigo, onde Constantine, entre outros, abordavam temas mais pesados, como o citado ocultismo, vícios, morte e loucura.

Para os heróis tradicionais da DC não perderem relevância, medidas drásticas foram tomadas e histórias como: A Morte do Superman e A Queda do Morcego (onde Batman fica paraplégico) mostraram que as histórias em quadrinhos tinham que se superar em criatividade, pois dos anos 90 em diante, mais do que boas histórias, as pessoas queriam ser surpreendidas. E entre altos e baixos, o mercado sempre tem nos reservado boas histórias.

E na próxima semana, falaremos mais sobre o gigantesco universo das HQ’s. Até lá!


Por: Anselmo
De: Cotia – SP
Email: anselmo@revistafriday.com.br

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