Arquivo | janeiro, 2013

Drama Online

31 jan
Já diria o sábio usuário do orkut “α vidα é fєiтα dє мσмєитσร”, ruins ou bons, felizes ou trágicos, catchup ou mostarda. Se você estava em marte até agora, fique sabendo que recentemente mais de 200 pessoas morreram queimadas numa casa noturna em Santa Maria-RS. Foi trágico, não deveria ter acontecido, não pode se repetir. A questão é: até que ponto todo esse drama online é hipocrisia? Está proibido ter sentimentos? Só teremos uma unanimidade na tristeza dos usuários da internet quando as tempestades solares afetarem a web e ficaremos sem rede? Hipocrisia é a palavrinha ~~dos indiferentes~~ da moda? 
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Tem gente que não pode ver um drama que “oh meu deus que horror compartilhem”, sabe as tias que entraram no facebook agora pouco ou então a vizinha que queria puxar um cabo de rede da sua casa até a dela e você não quis daí ela foi lá e comprou um pacote com 15GB!  Até que ponto podemos aceitar? ATÉ NENHUM, COM CERTEZA! Só está permitido aceitar se a vizinha for gostosa, daí ela pode compartilhar até a foto da Gina Indelicada mermão uuaehuieauehERROR #humor #hetero

Tudo tem limites, inclusive o respeito. Animal degolado no facebook, TÁ TUDO ERRADO! Oportunismo barato de páginas sem conteúdo e que querem chamar atenção de alguma forma radical, podem ir parando! (Provavelmente quem compartilha foto de bicho morto não é adepto de leitura e provavelmente não está aqui conosco no Blogguer™)


 Um tema tão delicado merece uma atenção especial!


Tive um bate papo com o psquiatra, ex-BBB e atual ídolo bear, Marcelo Arantes para saber sua opinião sobre esse assunto.


Brezolla, sou a favor da liberdade, tanto que costumo comentar sobre tudo, inclusive tabus como a morte, por exemplo. Não existem assuntos intocáveis, existem sim pessoas intolerantes e imaturas. E principalmente o limite. Dá pra lidar com bom humor, desviando o foco de um acontecimento brutal, por exemplo, para consequências engraçadas, sem que isso seja humor negro. Existe o jeito certo de fazer, poucos têm talento. A maioria avacalha.

Sentimento online é uma coisa complicada, no geral a internet é feita por pessoas sozinhas, que não tem vida social, que não namoram, ou que às vezes mantém uma vida social e namoram apenas para mostrar na internet. (Há casos de pessoas que amam internet e que sabem conciliar as coisas tudo perfeitamente~~euzinho) Chegamos a um ponto que qualquer sentimento humano é criticado, é hipocrisia, daqui alguns dias sentir uma dor de barriga vai ser hipocrisia, hipocrisia está tomando conta de tudo, duas doses de hipocrisia para cá, meio kg de hipocrisia para lá, hipocrisia é de comer ou de beber? É de sentir ou de criticar? É de se ouvir  ou de se ver? É de compartilhar ou de favoritar? Não dá para entender se as pessoas realmente sabem o que é hipocrisia e se sabem o significado, por que são hipócritas? “AI GNT PAREM DE SER HIPÓCRITAS NENHUM AMIGOS DE VCS MORREU PFVR MENOS GNT VAMOS PARAR“, então adiciona uma pessoa desconhecida e já posta no mural dela “TE ADOROO“. Oi???


Está de na hora dos próprios umbigos serem olhados, ou respeitar o umbigo saltadinho para fora dos outros, sem bullying! 
No fim das contas a internet é uma grande sala de aula cheia de alunos barulhentos e uma professora baixinha que ninguém enxerga e não serei eu, representante da turma, que vou colocar ordem aqui.


Por: Cassiano Brezolla
De: Caxias do Sul -Rio Grande do Sul
Email: contato@revistafriday.com.br

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O Contribuinte – Ray Bradbury

30 jan
(Texto retirado do livro “As Crônicas Marcianas” publicado em2005 pela Editora Globo)

        Ele queria ir a Marte a bordo do foguete. Foi até o campo de lançamento bem cedo de manhã e gritou através da cerca de arame, para os homens de uniforme, que ele queria ir a Marte. Disse a eles que era contribuinte, pagava seus impostos em dia, chamava-se Pritchard,e tinha direito de ir a Marte. Pois não tinha nascido bem ali, no Ohio? Pois não era um bom cidadão? Então, por que não podia ir a Marte? Sacudiu os punhos fechados na direção deles  e lhes disse que queria ir embora da Terra; qualquer pessoa sensata queria ir embora da Terra. Dali a uns dois anos haveria uma enorme guerra atômica na Terra,e ele não queria estar lá quando isso acontecesse. Ele e milhares de outras pessoas como ele se tivessem alguma sensatez, iriam para Marte. Pergunte-lhes se não iriam! Para fugir das guerras, da censura, da estatização, da conscrição  e do controle do governo sobre isso e sobre aquilo, sobre a arte e a ciência! Vocês podem ficar com a Terra! Estava oferecendo sua mão direita boa, seu coração, sua cabeça pela oportunidade de ir a Marte! O que era preciso fazer, onde era preciso assinar, quem era preciso conhecer, para embarcar no foguete?
      Riram dele através da tela de arame. Ele não queria ir a Marte coisa nenhuma, foi o que disseram. Por acaso ele não sabia que a Primeira e a Segunda Expedição tinham falhado, desaparecido? Que os homens provavelmente estavam mortos?
      Mas eles não podiam provar nada, não tinha certeza, ele retrucou, agarrando-se a cerca de arame. Talvez  lá em cima existisse um lugar cheio de leite e mel, e o capitão York e o capitão Williams simplesmente não tivessem se dado ao trabalho de voltar. Agora, será que eles podiam fazer o favor de abrir os portões  e deixá-lo embarcar no Terceiro Foguete Expedicionário, ou teria de derrubá-los a chutes?

     Eles o mandaram calar a boca.

 
Ele viu os homens se dirigindo ao foguete.
-Esperem por mim! – gritou – Não me deixem aqui nesse mundo terrível, preciso ir embora; uma guerra atômica sera deflagrada! Não me deixem na Terra!
     Arrastaram-no , aos chutes e pontapés, para longe. Baterão a porta do furgão da policia e o levaram embora naquela manhã bem cedinho, o rosto pressionado contra a janela traseira , e, no momento exato em que a sirene tocava bem no alto de uma colina, viu o fogo vermelho e ouviu o estrondo. Sentiu o enorme tremor quando o foguete prateado subiu e o deixou para trás em uma manhã de segunda-feira ordinária, no planeta Terra, tão ordinário.

Recomendação pessoal: Se você já tiver lido As Crônicas Marcianas, aproveite também para dar uma olhada na Graphic Novel baseada no livro e desenhada por Dennis Calero. Alguns contos do livro são transformados em quadrinhos sensacionais, acompanhadas de uma introdução feita pelo próprio Bradbury.

       
Por:Virgínia Fróes
De:Natal – RN
Email: virginia@revistafriday.com.br

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Não se fazem mais passados como antigamente #4 – O(s) dia(s) em que a música morreu – Parte I

29 jan
               Às vezes a surpresa bate na porta. Comigo e com você, algumas vezes até.  “Como assim tal cantor morreu?”. Foi assim com Michael Jackson, foi assim com Amy Winehouse, assim foi com Lennon, Sinatra e tantos outros. Como a editoria aqui é rock – e rock antigo- vamos falar de algumas mortes relacionadas aos moços das guitarras. No caso de hoje, uma tragédia que, no próximo domingo, completa 54 anos. O evento conhecido como The Day the music died, ou simplesmente “O dia em que a música morreu” foi um acidente eu levou, pra sete palmos, vários artistas de uma vez.


                3 de fevereiro de 1959. No meio de uma turnê pelo meio-oeste americano, o pequeno avião que levava os cantores  da “The WInter Dancy Party” espatifou-se a pouco depois da decolagem, num lago no estado de Iowa. Dentro da aeronave estavam três dos maiores nomes do rock and roll americano à época: Buddy Holly, “The Big Bopper” Richardson e Ritchie Valens. O primeiro, com óculos wayfarer e perfil de nerd, estourava com Peggy Sue. O segundo, o menos conhecido da turma, estava entrando nas paradas com ChantilyLace. E o terceiro, um imigrante de mexicanos de apenas 17 anos, arrasava bailes com seu primeiro -e obviamente- último sucesso (sim, você conhece).

                Dizem que o destino é implacável, e essa afirmação é válida no caso de Ritchie: ele nunca tinha viajado de avião na vida, e ganhou o lugar do outro cantor, Dion DiMucci, da Dion and the Belmonts, no cara ou coroa. Ao ver que era ele o escolhido a pagar os 36 dólares da viagem, resolveu entrar. Uma de suas frases finais foi: “É a primeira vez que ganho qualquer coisa na vida”. Pra quem acredita, é um prato cheio.

               Não foram poucos os influenciados por esta tragédia. Grande parte da obra de rock and roll original estava nos destroços daquele pequeno avião. Do outro lado do país, em Nova Iorque, um adolescente, entregador de jornais, estava estarrecido pela notícia que estava nos jornais a tiracolo. O nome dele era Don McLean e o enigmático poema que compôs sobre aquele dia virou uma canção-símbolo de sua época, alcançando o topo das paradas. Virou uma American Pie.


               O problema é que este desastre não foi o único. No próximo post, o mais sangrento episódio das tragédias do rock: quando (quase) uma banda inteira foi pro saco. Até

Por: G.L. Mendes
De: Carapicuíba – SP

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Conexão Holanda: O programa de Au Pair

26 jan

A minha coluna aqui se chama Conexão Holanda, mas por ironias da vida (ok, confesso, ironia das férias que precisei tirar) fui obrigada a me desconectar. Mas estou de volta para as colunas semanais dividindo e relembrando minhas experiências de um ano delicioso.

Como eu já contei, resolvi ser au pair na Holanda, um programa de intercâmbio que não precisa de tanto investimento para morar durante um ano na em outro país.

O que é ser Au Pair?
É um Intercâmbio cultural no qual você mora na casa de uma família e trabalha cuidando das crianças da casa e de todas as atividades relacionadas a elas e em troca você recebe um salário e a família é responsável por sua moradia e alimentação. Levando ao pé da letra, a expressão em francês significa “igual” e que na prática é mais ou menos assim: A Au Pair precisa ser tratada como membro da família, ou a mais perto disso possível e precisa se comprometer a fazer parte da família.
Requisitos para se tornar Au Pair na Holanda:
 – Ter idade entre 18 e 25 anos;
 – Ter experiência com crianças;
 – Possuir nível intermediário de inglês ou holandês;
 – Ter concluído o ensino médio;
 – Ser solteira/solteiro e sem dependentes;
Horários e salário:
Por lei, uma Au Pair na Holanda pode trabalhar no máximo 30 horas por semana e receber entre 300 e 340 euros por mês.
Como?
Você pode contratar agências de intercâmbio em todo o Brasil que te ajudarão com o processo ou poderá se inscrever em websites especializados em conectar famílias e Au Pairs.
Agora se eu pudesse definir a palavra Au Pair eu diria: Ganhar filhos que não são seus por um ano e se apaixonar loucamente por eles.  É aprender a cuidar e entender cada expressão dos pequenos. É pensar antes neles do que em você e em um dia frio doar a sua luva para um que esqueceu a dele na escola. É ser brava e firme quando não se comportam e ficar mordida quando os pais brigam com eles (mesmo que com motivo). É ensinar um pouco da cultura do seu país e morrer de orgulho quando eles aprendem a contar até 10 em português. É querer transferir o resfriado e febre das crianças diretamente para você. É fazer parte de uma família que não é a sua, é mesmo assim gostar muito deles. É ser mãe, pai, irmã mais velha, cavalinho e almofada.  É se sentir importante, pois os pais que nunca te viram antes confiam a coisa mais importante da vida deles á você. É viajar, visitar 13 países e conhecer culturas diferentes. É passar perrengue economizando dinheiro. É sentir saudades de casa. É ter todos os sentimentos e ainda por cima duplicados. É aproveitar ainda mais para acabar com a saudade. É se estressar e querer devolver as crianças para os pais e falar “Quem pariu Mateus que o embale”. É fazer amigos de todo mundo. É fazer amigas brasileiras que se encaixam na sua vida perfeitamente que parecem ser de infância.

 Mas repito: ser Au Pair é conhecer parte do mundo e ganhar crianças que você vai amar para o resto de sua vida.

Melhor Host Familly.
Entendem porque eu me apaixonei?
São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Foz e Sinop.

Colo bom

Trampolim 
Cultura Holandesa


Por: Lara Monnerat
De: São Paulo – SP
Email: laramonnerat@hotmail.com

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Whisky ou água de coco??

24 jan
Volta e meia uma música popular  colabora para a produção de memes nacionaisno momento toda uma nação de jovens alcoolatras bancados pela mesada dos pais está divida  entre água de coco e whisky/vodka, aliás, dividida não, na verdade tanto faz


Esse post tem um compromisso com a verdade.~~DENUNCIA~~ Não sabia por que  tanto se falava de “whisky ou água de coco”, fui pesquisar sobre o que se tratara e descobri que é uma canção do cantor Naldo, essa descoberta não alterou  meu status de incompreensão sobre esse tema, afinal, quem é Naldo? Naldo é o Mr. Catra versão POP e com menos filhos, fim.
Ele pode ser muito bem um golpe publicitário de alguma empresa que produza água de coco e não sabemos! (A partir de agora esse post não tem mais um compromisso com a verdade)  Querem trocar nossas bebidas alcoólicas por água de coco, tendo em vista a grande produção de cocos no Brasil este ano, caso essa safra não seja aproveitada ela será queimada, dando um prejuízo de 13% no PIB do Espírito Santo! Tudo isso é claro manipulado pela rede Globo, emissora onde o cantor Naldo foi descoberto pelo apresentador Luciano Huck, e  que todo ano passa o Especial de Fim de Ano Do Roberto Carlos, que por sua vez é capixaba!! #ACORDA #BRASIL 
Vocês já tomaram um porre com água de coco? Olha, eu não sei se pode isso, mas caso isso aconteça, no máximo a pessoa vai ficar com a circunferência abdominal maior que 120 cm. ENTÃO, TANTO FAZ COISA NENHUMA.

A questão é que eu não gosto de água de coco e acho que a grande maioria da população mundial está comigo, “apontam estudos”.

Quando você for ingerir uma bebida alcoólica, certifique-se que a mesma não foi substituída por água de coco. #GLOBO #E #NALDO #MENTE


Por: Cassiano Brezolla
De: Caxias do Sul – Rio Grande do Sul
Email: contato@revistafriday.com.br

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Forrest Gump – O Contador de Histórias

18 jan
Para todo mundo que gosta um tantinho assim de cinema, sempre existe um ou outro filme que todo mundo já assistiu e fala bem… Menos você. Comigo não foi diferente (o único problema é que eu ainda não vi vários por pura preguiça) e um desses de muitos foi Forrest Gump.

“A vida é uma caixa de bombons, você nunca sabe o que vai encontrar”. É com essa frase que Forrest inicia a sua história, sentado num banco de uma parada de ônibus. Ele conta que nasceu com um problema nas pernas, o que o impedia de andar normalmente e também um QI abaixo da média, fazendo com que fosse alvo de chacotas entre os colegas da escola, porém, sempre foi incentivado e estimulado pela sua mãe a viver como uma criança qualquer.

Em sua primeira viagem de ônibus para a escola, nenhuma das outras crianças quis dividir um banco com ele, exceto Jenny, uma menina meiga, mas que nunca fica em casa por sofrer abusos constantes do pai alcoólatra. Sendo assim, Jenny apresenta a Forrest um pouco mais do que a vida tem a oferecer.

A medida que Forrest conta a sua história, os ouvintes na parada de ônibus variam. E durante a sua jornada, ele está presente em grandes momentos da história norte-americana, como a Guerra do Vietnã e o processo de impeachment do presidente Richard Nixon. Critica também o materialismo, pois mostra que existe a possibilidade de levar uma vida simples mesmo sendo milionário.

É um filme de longa duração, mas que te deixa tão envolvido na história (a qual, aliás, possui milhares de referências à histórica política, econômica e do entretenimento norte-americanos) que nem percebe o tempo passar. Dizem os especialistas que foi a melhor atuação da carreira de Tom Hanks. Se isso é verdade, eu não sei, mas que vale a pena o play, disso eu tenho certeza!

Bom filme!


Elenco: Tom Hanks, Rebecca Williams, Sally Field, Michael Conner Humphreys, Harold G. Herthum, George Kelly, Bob Penny, John Randall, Sam Anderson, Margo Moorer, Ione M. Telech, Christine Seabrook
Diretor: Robert Zemeckis
Ano: 1994
Gênero: Drama


Por: Natália Farkatt
De: Natal – RN
Email: natalia@revistafriday.com.br

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Estreia "Bárbara" e o saco de pipoca sem fim

17 jan
Oi, nenos.

Antes de qualquer coisa, quero dizer que juro (pela perna de Blondor da Viviane Araújo) que assisti a “Bárbara” pela sinopse, e não pelo sonoridade gostosa que tem esse nome, e habitual simpatia e modéstia das pessoas que o têm.

Dito isso, ao filme.



Em breves linhas: a história se passa na época da Guerra Fria, quando havia ainda a divisão da Alemanha Oriental e Ocidental. Nesse contexto, Bárbara (médica pediátrica) é enviada para o interior da Alemanha Oriental, punição por ter tentado tirar visto para a outra Alemanha, e vive sob vigilância do governo da época. Entretanto, mesmo com forte escolta, ela e seu homem (que vive no lado Ocidental) elaboram um plano para que ela saia ilegalmente do país. No hospital para o qual ela foi enviada, desconfia que André, médico também, está ali para vigiá-la e informar o governo sobre sua rotina. Então, desenvolve-se a história e as relações vão se fazendo, desfazendo e refazendo.

Essa produção alemã, com direção de Christian Petzold (que por sinal ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim 2012), é envolvente e cheia de recursos. Recursos cinematográficos que levam o público a enveredar pela situação da personagem homônima do título, trabalhando com imagem, sombra, sons e respiração muito particulares.



Desde o início da exibição, é deixado bastante claro que a situação histórica serve como fundo. Os sentimentos dela são exteriorizados, e o ambiente os reflete. Sua impaciência por sair da parte oriental, pode ser colocada junto ao som do relógio como único movimento sonoro durante cenas longas do filme. A frieza com que ela trata todos, pode ser como que o produto da repressão, do cerceamento de sua liberdade. Isso fica bastante claro no filme, bem como a sensibilidade demonstrada por ela quando com seus pacientes, implicando o quão aprazível sua profissão é, para sua construção.

Cenas escuras explicitam a tensão da época, e a agitação dos ventos que remetem ao local em movimento também são sentidos. Um ~bucolismo velado~ é percebido nas roupas e rotina interiorana.

O filme é capaz de entreter do início ao fim (em seus 105 min), e envolver o público numa reflexão – não identificação necessariamente, sobre o que se quer, e o que realmente se quer. Movimentos externos que modificam nosso interior, e quando se percebe que a mudança ocorreu.

O desfecho se faz realmente no final. Não tão imprevisível, mas simplório e de forma serena.Os olhares e expressões, sons de fundo e silêncios alternados são característicos e cabem perfeitamente na proposta. Isso me fez ficar tão sensível que chorei quando saí e vi um guri segurando um “abraço com cheiro de ~suvaquinho~ grátis” na rua. Podem julgar.

Fiquei tão envolvida que minha pipoca média (R$7,50) ficou quase intacta. QUASE. E eu adoro pipoca.



Oooooutras estreias são:

Sacrifício: direção de Kaige Chen. Clã, inimigos do clã, grávida, vingança, sacrifício, Zhao, Cheng Ying, drama.

Jack Reacher – O Último Tiro: direção de Christopher McQuarrie. Saindo de um livro para o cinema, atirador, suspeito óbvio, busca pelo suspeito-não-obvio-provável-culpado, segredo, violência, Tom Cruise, lindo, Ação.

Uma Família em Apuros: direção de Andy Fickman. Avós, netos, quadradisscçes, modernidades, infância perdida, infância buscada, infância encontrada, comédia.

A Viagem: direção de Andy Wachowski, Lana Wachowski e Tom Tykwer. Várias histórias, passado presente futuro, como uma ação pode desencadear revoluções, grande elenco, adaptação que muitos duvidavam/duvidam/tiveram confirmação/amaram/odiaram, ação, ficção científica, mistério, aventura. 

Além das Montanhas: direção de Cristian Mungiu. Amigas, monastério isolado, separação, reencontro, padre pensando que a garota tá possuída, felicidade, simplicidade, Romênia, França, Bélgica, drama.

Até logo!

Beijos iluminados na testa esfoliada.


Por: Bárbara Argenta

De: São Paulo – SP
Email: babi.argenta@gmail.com

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RESENHA: Um Estranho no Ninho – Ken Kesey

16 jan

            Ken Kesey é um escritor americano nascido em 1935 no estado do Colorado.  A sua obra mais famosa, Um Estranho no Ninho, é um clássico da contracultura dos anos 60 e foi inspirado nas experiências do autor como pesquisador em um centro psiquiátrico para veteranos de guerra.
O livro conta a história de R.P. McMurphy, que é preso e para escapar da cadeia, finge-se de louco e acaba por ser internado em um hospital psiquiátrico, acreditando que lá as coisas serão mais fáceis. Entretanto, ele descobre que os internos são controlados e reprimidos de maneiras terríveis.  Por se rebelar e tentar melhoras as coisas dentro do hospital, McMurphy se torna o ídolo de seus companheiros, mas acaba por atrair também a inimizade da opressora enfermeira Ratched.
            O livro tem a sua historia em primeira pessoa, contada pelo Chefe um índio que é um dos pacientes da instituição. É a partir de seus pensamentos e opiniões que se pode ver como realmente é o hospital e seus funcionários, incluindo a temida enfermeira-chefe.   O hospital nada mais é que uma miniatura da sociedade exterior a ele. Lá dentro, os diferentes e os mais fracos são oprimidos por uma força superior que os comanda. Suas individualidades são massacradas para que a “ordem” seja estabelecida.

“(…) Tudo aquilo que deveria ser normalizado para que o sistema social pudesse se reproduzir com indivíduos conformistas e obedientes”.

Eis que surge então o rebelde, personificado em McMurphy que se torna uma ameaça para a ordem estabelecida.  É ele quem mostra a realidade. Ele quem diz o que está errado com o sistema quem que esses indivíduos vivem. E é ele quem os inspira. Os faz passar a ter mais liberdade e coragem.  Esse rebelde é quem representam uma ameaça à sociedade e aos interesses dos que tem poder. E é por isso que a enfermeira Ratched se torna inimiga declarada de McMurphy.

            Para refletir. Para pensar. Para contestar. Um Estranho no Ninho foi considerado um dos livros percussores do movimento da contracultura e ele nos faz refletir sobre qual a verdadeira face da loucura e se a sociedade em que estamos inseridos realmente nos respeita.Mas, mesmo que McMurphy muitas vezes tenha um comportamento repreensível,  podemos nos inspirar nele para lutar pelo que acreditamos ser o certo e contra o que nos oprime.

Recomendação pessoal:
Um Estranho No Ninho, filme de 1975, dirigido por Milos Forman e estrelado por Jack Nicholson. Excelente adaptação da obra de Ken Kesey, o filme foi vencedor de 5 Oscars incluindo Melhor Filme. 

Por: Virgínia
De: Natal – RN
Email: virginia@revistafriday.com.br

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Hora de Desafiar a Gravidade!

15 jan

            E aqui estamos nós, novo ano, novo conteúdo! Bem vindos à minha primeira postagem de 2013! E para estrear a minha coluna, nada melhor do que irmos todos juntos para Oz. Quero que conheçam um pouquinho mais sobre um musical que arrepia os pelinhos da nuca: Wicked.



            Pois é minha gente, Wicked (ou Malígna aqui no Brasil), é um musical que conta a verdadeira história das bruxas de Oz, explicando que a tal Bruxa Má do Oeste não é lá tão má assim. Para quem gosta de O Mágico de Ozou para quem NÃO GOSTA, como eu, é um prato cheio. Esqueça a história de que Glinda, a Bruxa Boa do Norte, sempre foi boazinha e que Elphaba, a Bruxa Má do Oeste, é uma bruxa velha e ranzinza. Há muito mais para se saber nessa história.
            No desenrolar da história, descobrimos que Elphaba não é ruim, mas sim uma pessoa simples e dedicada, que sofre com o preconceito das pessoas por conta de sua pele verde. Pois é galera, rolava um bullyingcontra ela! Apesar do desprezo por parte de seu pai, ela era extremamente devotada a ele e a sua irmã, Nessarose, que andava de cadeira de rodas. Vale ressaltar que nenhum deles tinha a pela verde, somente Elphie. Indo para a Universidade de Shiz, Elphaba acaba tendo que dividir o quarto com Glinda, mostrando que a primeira impressão não é realmente a que vale e fazendo nascer uma grande amizade dessa convivência forçada. Pois é minha gente, as bruxas eram melhores amigas! Não existia essa coisa toda de maldade ou bondade. Conforme Elphaba vai crescendo, ela entra em contato com o pior das pessoas e acaba se vendo forçada a assumir a postura que lhe é imposta: a de uma bruxa má. Mas essa “maldade” não dura muito.
            É claro que não vou entregar o final da história, mas confiem em mim quando digo que vale muito a pena. Já comprei e estou lendo o livro que deu origem a esse musical! Ele se chama Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West (em português é Malígna: A Vida e a Época da Bruxa Malvada do Oeste), de Gregory Maguire. A história começa muito antes da chegada de Dorothy (aquela menininha chata, dona do cachorro fofo) em Oz e termina um pouco depois da sua partida. Durante o livro e o musical também contada a história do espantalho, do leão, do homem de lata e até mesmo do próprio Mágico de Oz. Não quero estragar a surpresa, mas o homem de lata e o espantalho eram humanos!
            Eu já conhecia Wicked, mas não sabia de fato sua história. Cantarolava algumas músicas e só. M as no comecinho de dezembro eu assisti uma montagem simplesmente FANTÁSTICA, onde eu fiquei, literalmente, arrepiada. Eles eram apenas alunos, não havia profissionais ali, mas eles conseguiram me emocionar e me emocionar muito. Fizeram a lição de casa perfeitamente. Não consigo explicar qual foi a minha sensação ao sair de lado. Era orgulho daqueles atores, misturado com uma animação gigante por causa das musicas e da história e um pouco de arrependimento por não ter participado daquela coisa linda que vi no palco.
            Para os que gostam de ler, leiam Malígna, aos que gostam de teatro assistam Malígnae para quem gosta dos dois, você é lindo.
            Como de costume, deixo aqui um vídeo para vocês saborearem um pouquinho do que é o Wicked. É a música mais famosa de Wicked, ela termina o primeiro ato com muita classe! Defying Gravity:


Por: Ana Paula Cadamuro
De: São Paulo – SP
Email: anapaula@revistafriday.com.br

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Não se fazem mais passados como antigamente #3 – Uma aula de Blues

15 jan

Layla and another assorted songs _ Derek and the Dominos (1970)
Polydor
Nota: 9.7 / 10



            Não é preciso ir longe para entender o porquê de, durante os anos 60, tantos muros em Londres conterem a pichação “Clapton is god”. O ícone da Fender Stratocaster até hoje tem uma habilidade literalmente divina, que lota estádios mesmo cinquenta anos após o início da sua carreira. Alguns deles, como “Cocaine” e “Bad Love” são referências até hoje pra qualquer um que aprecie um bom rock.
            Quase sempre agindo como um músico mambembe, Clapton tocou em diversos grupos nos anos 60, tais como os Yardbirds, o Blind Faith, o John Mayall and the Bluesbreakers, além do Cream. Na virada da década, procurando mais o anonimato de uma banda comum, Eric juntou amigos para um supergrupo- por mais irônico que isso pareça: o Derek and the dominos (nome criado em cima da hora do primeiro show, sem nenhuma razão em especial), que só teve uma obra. Obra esta que poderia ser facilmente exibida em um museu.
            Layla and anotherassorted songs foi gravado em Miami, e contou, em grande parte das músicas, com Duane Allman, guitarrista solo da Allman Brothers Band e considerado o melhor da terra do Tio Sam em termos de blues- em todos os tempos. Com essa química rolando no grupo (fora a outra “química” que deixava-os chapados), o que se tem nesse disco é um misto de improvisação, coverse composições inéditas que demonstram uma força incrível dos dois guitarristas.
            As três primeiras faixas são composições do grupo, que ainda não tinha Duane participando. “I looked away” e “Bell Bottom Blues” são mais românticas, enquanto “Keep on Growing” é uma canção elétrica, com solos mais destacados. Entre os covers, uma versão ”Nobody knows when you’re down and out”, que é o famoso blues que canta as tristezas da vida, além de uma bela improvisação sobre a já espetacular “Little Wing” de Jimi Hendrix.
            Uma das músicas que mostram como a dupla Clapton-Allman foi produtiva é a faixa 9, “Why does love got to be so sad”, uma disputa acirrada de solos longos e travados nota a nota entre os dois. Só quando se ouve pela décima vez consegue-se notar quem é quem dentro da maestria de notas.
            A outra canção é Layla.
            Famosa por aquela versão acústica, conhecida nas rádios e rodas e violão, que Clapton fez em 1992, a faixa-título, em sua versão original, é explosiva e perfeita. A letra,baseada tanto em uma lenda oriental antiga quanto no amor platônico de Eric com Patti Harrison, tem uma primeira parte como um blues moderno, novamente protagonizado pelas disputas entre os guitarristas. Subitamente a música muda para uma coda em piano em dó maior, feita pelo bateirista Jim Gordon, que torna a música macia, quase melancólica. Duas faces de uma mesma música, que se juntam em uma harmonia incontestável.
            Pouco após o lançamento do disco, Duane Allman morreu, ainda com vinte e tantos, vítima de um acidente de moto. Isso, aliado com brigas e críticas da mídia acusando Clapton de usar a banda para se promover– o que ele nega veementemente – fizeram com que a Derek and the Dominos fosse enterrada logo após o fim de sua última faixa, a balada “Thorn tree in the garden”. Mas não há problemas: esse álbum, com a belíssima capa assinada por Émile Schonberg, não faria feio em qualquer museu do mundo.

Por: G.L. Mendes
De: Carapicuíba – SP
Email:  

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