Não se fazem mais passados como antigamente #5- O(s) dia(s) em que a música morreu – Parte II

12 fev

Então, voltando à nossa roda de acampamento com histórias macabras, chegou a hora de contar sobre aquele que é, talvez, a maior tragédia do mundo do rock. E também o fruto de uma das maiores viradas da história. Para isso os personagens são sete branquelos meio barbudos, de calças largas e chapéus sulistas americanos. No caso, a Lynyrd Skynyrd.

Eles sempre foram um caso à parte no mundo da música. O primeiro álbum deles, o auto-explicativo Pronounced ‘Lĕh-‘nérd ‘Skin-‘nérd (o nome complicado era uma homenagem a Leonard Skinner, diretor da escola deles no colegial)  fez um sucesso tão, mas tão arrebatador, que a banda pouco precisou provar depois dali. Um exemplo quase ímpar no Southern rock– aquele de solos de guitarra esticados, uso de banho e grandes bandas como a Allman Brothers e a Marshall Tucker- os garotos seguiam com álbuns excelentes, mas sem o sucesso do primeiro.  Afinal, não é todo dia que se lançam, no mesmo álbum, hinos como Simple Man, Tuesday’s gone e Free Bird.
               

Para satisfazer a maratona de shows, a banda contava com Convair, um avião de médio porte, para as viagens –isso tempos antes de Bruce Dickinson dar o exemplo-. A aeronave, batizada com o nome do maior sucesso da história da banda, levaria 24 pessoas de  Greenville, na Carolina do Sul, até Baton Rouge, na Louisiana. Eram 2 pilotos, os 7 membros da banda mas roadies.
O momento não podia ser o melhor para a banda: há 3 dias eles haviam lançado o quinto álbum, Street Survivors, e a canção That smell já subia nas paradas. Então. No meio do voo o avião apresentou problemas de combustível e, na tentativa de fazer um pouso forçado em uma floresta próxima à cidade de Gillsburg, o piloto acabou enfiando o Free bird dentro de um pântano de difícil acesso, o que causou a explosão que matou seis pessoas na hora.
Da banda, os mortos foram o vocalista Ronnie Van Zandt, o guitarrista Steve Gaines, a backing vocal e irmã mais velha do guitarrista, Cassie Gaines. Além deles, ali no meio do Mississipi jaziam um roadie e do piloto e co-piloto. Aí começam os dados macabras da tragédia: segundo o bateirista, após a queda um fazendeiro das redondezas foi ao local e, acreditando se tratarem de presidiários em fuga, tentou executá-los na bala (o que nunca foi provado ou desmentido). Já o tecladista Billie Powell contou, em um documentário para a VH1, que Cassie morreu de um corte na garganta, de orelha a orelha, e que desfaleceu devido aos sangramentos, em seus braços.

A capa original de 1977.
Porém o que mais chama atenção é a capa do então recém-lançado álbum, o Street Survivors: O avião causou um incêndio de grandes proporções no pântano que caiu, o que conspira com as próprias chamas da capa do álbum!. Steve Gaines (o do meio) é engolido pelas chamas de um estranho incêndio, e Van Zandt, o terceiro da esquerda para a direita, também tem os pés consumidos pelas chamas. Mau presságio ou não, a capa foi refeita em 2009, para uma edição especial, sem o tal fogo.
A banda parou ali, e assim ficou por 10 anos. Em 1987, graças a alguns dos sobreviventes e de familiares (caso do irmão mais novo do vocalista, Johnny Van Zandt, que assumiu o microfone), a banda-símbolo dos confederados. voltou à baila, com excelentes álbuns, caso do Gods and Guns, e ainda realiza turnês mundo afora.
A capa, mais sóbria, em 2009.
Sem mais mortes. Por enquanto.


Por: G.L. Mendes
De: Carapicuíba-SP

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