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Resenha: Ardil-22 – Joseph Heller

27 ago

Joseph Heller nasceu em 1923 em Nova York, filho de imigrantes russos e começou a carreira de escritor escrevendo contos para revistas americanas. Ardil-22, seu primeiro romance, é baseado nas experiências do autor como piloto de bombardeio durante a Segunda Guerra Mundial e tem uma maneira única de tratar os horrores da guerra de forma irônica e satírica.
O protagonista dessa obra é o capitão John Yossarian, um piloto americano de bombardeio, atuante em uma base militar dos EUA localizada na ilha de Pianosa. Os homens desse esquadrão necessitam realizar um certo número de missões aéreas para que sejam dispensados e possam voltar para casa. Entretanto, o comando militar continua aumentando o número de missões de forma que os pilotos nunca consigam completá-lo. Além disso, há o ardil-22, uma lei militar autocontraditória que também faz com que os soldados continuem voando. O Ardil afirma que a única maneira dos pilotos deixarem suas missões é pedindo para abandoná-las, alegando insanidade. Porém, ao tomar essa decisão de não se envolver em missões perigosas para proteger sua vida, o soldado está sendo perfeitamente racional e dessa forma deve continuar voando.
Ardil-22 já se destaca logo de cara por mostrar os soldados de uma maneira nunca antes vista. Os personagens mostrados são retratos extremantes caricatos de figuras que se metem nas situações mais absurdas. Não há herois de guerra que lutam por honra e por ideais patrióticos, como sempre nos é mostrado em filmes e livros de guerra. Os soldados são apenas seres humanos que não estão interessados em morrer por seu país e nem por ninguém. O alto escalão militar é composto por sujeitos incompetentes e sedentos de poder, cujas ordens são inúteis e levam milhares de seus subordinados a morrer de maneira chocante pelos motivos mais irrelevantes. Não é de se admirar que Yossarian faça de tudo para não voar. As mortes de seus companheiros o chocaram muito e faz com que ele sinta que sua própria morte está cada vez mais próxima.
O romance possui uma narrativa não linear recheada de flashbacks mostrando a mesma situação através dos pontos de vista dos mais diversos personagens, que vão ganhando mais detalhes com as repetições. Joseph Heller trata a história dessa maneira para ilustrar o como a guerra é algo absurdo, sem sentido e repetitivo. Essas características que são ao mesmo tempo fantasiosas e tão próximas da realidade é que tornam esse livro tão genial e chocante. A princípio a leitura pode parecer um pouco complicada, mas ao longo do livro tudo se esclarece e o final faz tudo valer a pena. Contraditório, crítico e até mesmo hilário (é possível dar boas gargalhadas com diversas partes da obra), Ardil-22 demorou um pouco para ser bem aceito entre o público mas até hoje é considerado um dos melhores exemplares da literatura anti-belicista. Fez bastante sucesso entre os manifestantes que protestavam contra a guerra do Vietnã carregando placa com os dizeres “Yossarian Lives!”
Recomendação pessoal: Em 1970, foi lançada a adaptação cinematográfica do livro, dirigida por Mike Nichols. Devido a narrativa incomum, a equipe encontrou bastante dificuldade em adaptar o livro perfeitamente, tendo que deixar muitas partes e personagens de fora. O filme, porém, é divertidíssimo e ajuda ao leitor a visualizar de maneira bem realista o que foi lido na obra. Além disso, o filme se tornou famoso por reformar e resgatar diversas aeronaves B-25 Mitchell que estavam praticamente desaparecidas e sucateadas. 15 dos 18 bombardeios ainda permanecem intactos e após as filmagens foram doados ao Museu Smithsonian.

Título: Ardil-22 (Catch-22) 

Autor: Joseph Heller

Editora:Bestbolso

Edição: 2010
Número de páginas: 560


Por: Virgínia Fróes
De: Natal-RN
Email: virginia@revistafriday.com.br

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