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Estreia: O Amante da Rainha

12 fev
Oi, lindezas!

Gente… esse filme do seu Nikolaj Arcel... bah. Ainda sinto os suspiros e pausas na respiração, em grupo, dentro da sala de cinema. É de uma complexidade encantadora.

Nada boba, essa produção dinamarquesa foi indicada ao Oscar de filme estrangeiro. Já no Festival de Berlim 2012, houve duas premiações com os troféus de melhor roteiro (de Arcel e Rasmus Heisterberg) e melhor ator para Mikkel Boe Folsgaard, intérprete do rei Christian VII.




O filme é bastante denso por envolver conflitos, sociais e pessoais nos quais os personagens estão envolvidos, interligados. O período histórico é Idade Média, “Idade das Trevas”. Nesse período a princesa da Inglaterra, Caroline Mathilde (Alicia Vikander) casa-se com o rei da Dinamarca, Christian VII, que é considerado pelos nobres próximos, louco e incapaz de reger o trono que ocupa, tornando-se ali mera peça política. Mads Mikkelsen, que interpreta o médico Johann Struensee, chega na trama para cuidar do rei e suas crises, mas Christian acaba por fazê-lo além de seu médico particular, principal conselheiro. Dados aí os ingredientes para o ”triângulo capenga” que o filme forma. Um rei pouco lúcido, influenciável e por vezes intimidado. O público, no decorrer do longa, acaba por apiedar-se deste. O médico, com “desvio Iluminista”, e Caroline. Esses dois apaixonam-se, seus ideais são bastante próximos, e aqui o embrião da mudança na história da Dinamarca é criado.

seu rei e o médico sedutor



A claridade e escuridão que se intercalam durante o filme, mostraram-se pra mim um reflexo do estado de espírito que em dado momento nos era alçado. A fotografia delicadamente trabalhada para a época, é fascinante. Momentos escuros do filme me lembraram muito outro filme, este francês, de época “O Nome da Rosa”. Mesma época, mesmas referências. Claras referências.

rainha safada e médico seduzindo



A intensidade na reciprocidade de trocas entre Mikkelsen e Vikander é marcante. Isso faz o público compreender a partir de que momento o interesse mútuo inicia. As tiradas do Rei também são dignas de um comentário a parte: elas são refinadamente simples, e isso é o suficiente pra ser a medida de leveza, dentro de um período socialmente instável e em situações pessoais tão particulares, que o filme pedia.

A parte em que ela tem um filho do Seu Dotôr, os exilamentos feat. decapitações e outros detalhes do fim do filme, acho digno de serem assistidos. As relações são postas à prova a cada momento-chave. E são muitos. Sim… são. Desde a relação do rei com sua mãe, passando pelo Conselho da Dinamarca com seu rei, Christian e sua esposa, e dona Caroline e Struensee.  Poder e desejos são elementos fortes aqui.


É um filme longo, mas vale cada minuto na poltrona. Assita, sim?


That’s all folks.


Estamos de volta. 🙂




Por: Bárbara Argenta

De: São Paulo – SP
Email: babi.argenta@gmail.com

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Estreia "Bárbara" e o saco de pipoca sem fim

17 jan
Oi, nenos.

Antes de qualquer coisa, quero dizer que juro (pela perna de Blondor da Viviane Araújo) que assisti a “Bárbara” pela sinopse, e não pelo sonoridade gostosa que tem esse nome, e habitual simpatia e modéstia das pessoas que o têm.

Dito isso, ao filme.



Em breves linhas: a história se passa na época da Guerra Fria, quando havia ainda a divisão da Alemanha Oriental e Ocidental. Nesse contexto, Bárbara (médica pediátrica) é enviada para o interior da Alemanha Oriental, punição por ter tentado tirar visto para a outra Alemanha, e vive sob vigilância do governo da época. Entretanto, mesmo com forte escolta, ela e seu homem (que vive no lado Ocidental) elaboram um plano para que ela saia ilegalmente do país. No hospital para o qual ela foi enviada, desconfia que André, médico também, está ali para vigiá-la e informar o governo sobre sua rotina. Então, desenvolve-se a história e as relações vão se fazendo, desfazendo e refazendo.

Essa produção alemã, com direção de Christian Petzold (que por sinal ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim 2012), é envolvente e cheia de recursos. Recursos cinematográficos que levam o público a enveredar pela situação da personagem homônima do título, trabalhando com imagem, sombra, sons e respiração muito particulares.



Desde o início da exibição, é deixado bastante claro que a situação histórica serve como fundo. Os sentimentos dela são exteriorizados, e o ambiente os reflete. Sua impaciência por sair da parte oriental, pode ser colocada junto ao som do relógio como único movimento sonoro durante cenas longas do filme. A frieza com que ela trata todos, pode ser como que o produto da repressão, do cerceamento de sua liberdade. Isso fica bastante claro no filme, bem como a sensibilidade demonstrada por ela quando com seus pacientes, implicando o quão aprazível sua profissão é, para sua construção.

Cenas escuras explicitam a tensão da época, e a agitação dos ventos que remetem ao local em movimento também são sentidos. Um ~bucolismo velado~ é percebido nas roupas e rotina interiorana.

O filme é capaz de entreter do início ao fim (em seus 105 min), e envolver o público numa reflexão – não identificação necessariamente, sobre o que se quer, e o que realmente se quer. Movimentos externos que modificam nosso interior, e quando se percebe que a mudança ocorreu.

O desfecho se faz realmente no final. Não tão imprevisível, mas simplório e de forma serena.Os olhares e expressões, sons de fundo e silêncios alternados são característicos e cabem perfeitamente na proposta. Isso me fez ficar tão sensível que chorei quando saí e vi um guri segurando um “abraço com cheiro de ~suvaquinho~ grátis” na rua. Podem julgar.

Fiquei tão envolvida que minha pipoca média (R$7,50) ficou quase intacta. QUASE. E eu adoro pipoca.



Oooooutras estreias são:

Sacrifício: direção de Kaige Chen. Clã, inimigos do clã, grávida, vingança, sacrifício, Zhao, Cheng Ying, drama.

Jack Reacher – O Último Tiro: direção de Christopher McQuarrie. Saindo de um livro para o cinema, atirador, suspeito óbvio, busca pelo suspeito-não-obvio-provável-culpado, segredo, violência, Tom Cruise, lindo, Ação.

Uma Família em Apuros: direção de Andy Fickman. Avós, netos, quadradisscçes, modernidades, infância perdida, infância buscada, infância encontrada, comédia.

A Viagem: direção de Andy Wachowski, Lana Wachowski e Tom Tykwer. Várias histórias, passado presente futuro, como uma ação pode desencadear revoluções, grande elenco, adaptação que muitos duvidavam/duvidam/tiveram confirmação/amaram/odiaram, ação, ficção científica, mistério, aventura. 

Além das Montanhas: direção de Cristian Mungiu. Amigas, monastério isolado, separação, reencontro, padre pensando que a garota tá possuída, felicidade, simplicidade, Romênia, França, Bélgica, drama.

Até logo!

Beijos iluminados na testa esfoliada.


Por: Bárbara Argenta

De: São Paulo – SP
Email: babi.argenta@gmail.com

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Estreia: ”O Impossível” e Caxias do Sul

28 dez
Oi, lindezas, tudo certo?

Cá estou, de férias (merecidas e chuvosas; mais chuvosas do que merecidas…) em Caxias do Sul, e aqui fui assistir ao choroso, triste, molhado em lágrimas e elaborado, ”O Impossível”. Estreou há alguns dias, sim; mas é válido marcar alguns pontos desse longa.


Juan Antonio Bayona é o diretor da trama, e o roteiro é de Sérgio G. Sánchez. O diretor espanhol que, há alguns anos, não trazia às telas sua marca, teve em “O Orfanato” seu último título lançado antes da estreia de “O Impossível”.

Cheguei na sala já com algumas opiniões acerca do filme. Pontos positivos: atores de respeitável bagagem, ser baseado em uma história real, expectativa de efeitos especiais, no mínimo muito bons, para que as ondas pudessem ser reproduzidas, bem como o pós-desastre. E também a torcida para que o filme não fosse desrespeitoso com a família e dramas retratados.

Após 20 minutos de filme, já podia-se ouvir na sala os primeiros choros (meus, admito, não nego. Estava beeeem mulherzinha mesmo.). Tais ~snifs~ duraram todo o filme. Sem mentira. Espalhou-se e permaneceu por toda a sala durante o tempo em que o drama nos era apresentado.

A história inicia com a viagem do casal Maria (Naomi Watts) e Henry (Ewan McGregor), com seus 3 filhos pequenos para Khao Lak, Tailândia, na véspera do natal de 2004. Este início encontra em sua fotografia muitas cores e luzes, retratando a época do ano e o estado de espírito dos que ali estavam a comemorar. Dá-se em um primeiro momento também uma pincelada sobre falhas nossas (naturais e corriqueiras, mas falhas), ao não abstrair em alguns momentos de problemas rotineiros mas superáveis, e aproveitar com os que amamos (OIN! <3). Em seguida, já ocorre o tsunami, que deixou mais de 2 milhões de desabrigados. A família separa-se com o impacto das ondas, e a partir daí, o filme também muda. A experiência retratada, inicialmente, é a de Maria e seu filho mais velho, Thomas (Tom Holland). As dores dos ferimentos, incertezas do que havia ocorrido e suas dimensões; a mostra da mãe e a perna gravemente ferida, enlaçada ao sofrimento do filho mais velho e os medos, trazem a tônica do filme: drama.

O desespero da perda da família é agravante, que mantem-se ativa até o reaparecimento dos demais membros. Pai e os outros dois filhos ressurgem na tela, e com isso o desenrolar dos fatos entre buscas, desencontros e o esperado reencontro de todos em um posto de atendimento, onde Maria está internada em estado grave, tornam o filme reflexivo.

As expressões faciais (principalmente, e PRIN-CI-PAL-MEN-TE da atriz Naomi Watts) são ponto a favor do longa. A identificação com o público ocorre ao conduzir os que o assistem, em direção à dor, sofrimento e dificuldades de mãe, mesclado ao conhecimento de ser uma história real, torna impossível o “não ceder à emoção.”

Os efeitos sonoros – e aqui, elenco em primeiríssimo lugar: os silêncios; são recursos utilizados de forma elaborada e num encaixe perfeito com as situações e reações esperadas do público. 

Solidariedade e caridade são passadas de forma bastante clara e, obviamente, necessária na condição da realidade ali exposta. Mãe, como quase uma entidade na base familiar, é ali evidenciada e respeitosamente alçada à protagonista, assim como seu filho mais velho.

O filme não se torna piegas, mas possui algumas partes nas quais o público pode se perguntar: “tá brincando, né?”, como nos desencontros da família no centro de apoio às vítimas. Isso, no entanto, não invalida, nem deixa opaco todo o resto do longa, que emociona, e faz refletir.

Clap, snif, clap!

Recomendo. Se estiver na TPM, ou apenas for de câncer, sugiro levar um balde com lenços.

Outras estreias para encerrar este ano ~delicioso~ são:

De pernas para o ar II – Aquela louca da Ingrid Guimarães volta a atacar com a Mariazinha Paula, e a sex shop – aquela, mas agora em level hard, em NY. Alice (Ingrid Guimarães) surta, e precisa de cuidados. Aquela coisa de conhecer e se conhecer, entra aqui. Roberto Santucci é o cara da direção, e deve fazer a gente rir com essas “empresárias atacadas.”

No – Direção de Pablo Larrain traz para esse filme uma outra ótica do governo Pinochet. Trabalha com a construção da campanha contra a permanência do ditador no poder, aqui encabeçada por (pausa dramática seguida de suspiro profundo) Gael García Bernal. O plebiscito convocado pelo próprio Pinochet é o ponto para desencadear a história que faz convergir ideais, repressão e ousadia. 


Na semana do dia 21 também tivemos alguns títulos em cartaz: 

As Aventuras de Pi – Do camaleão Ang Lee. Aventura e drama, com viagens e encontro interno, tudo com um tigre (reproduzido e em algumas partes reais, vale a pena).

Viúvas – De Marcos Carnevale, mostra o encontro de esposa e “a outra” em decorrência da morte do pivô. E.mo.ção.

O Olhar Invisível – Dirigido por Diego Lerman, retrata a jovem María Teresa e sua nova missão: observar os atores da contestação da ditadura em Buenos Aires.

A Filha Do Pai – Amor e separação entre uma jovem e seu piloto de avião, seguida de uma gravidez e seu pai. Dirigido por Daniel Auteuil.

“PERA”, TÊM MAIS UNS, SÓ!

A Negociação –  com o charmoso, bem-sucedido (e futuro genro da mamãe, se ele não morrer antes) Richard Gere, e direção de Nicholas Jarecki. O investidor envolve-se em um acidente com vítima fatal que pode prejudicar suas milionárias negociações, entretanto, um investigador busca os fatos e vai perturbar o lindo.

Um Evento Feliz – aqui, mais uma jovem doutora engravida de seu case sensual, conhecido em uma locadora de vídeos. Porém, seu romance não firma como esperado e o percurso do filme segue com ela solteira enfrentando esse novo momento. Rémi Bezançon dirige.

As Quatro Voltas – de Michelangelo Frammartino, numa co-produção Suécia-Itália-Alemanha. Os ciclos vegetais: animal, mineral e humana são implicitamente (mas não tanto) expostas, a partir de um fato desencadeador.

Hahaha – produção Sul-Corerana, dirigida por Hang Sang-Soo. A realização cinematográfica, reafirmando o que já sabemos: o mundo é um ovo, e todos conhecem alguém, que conhece alguém, que conhece alguém em comum. Boas críticas…

Brichos II – Paulo Munhoz dirige a animação, ~que fará a turminha se divertir à beça~. Bela produção com uma importante moral sobre o meio ambiente e as relações.

E deu, né?  Dá licença que preciso pegar um frio lá fora. E uma chuva. Mais uma chuva de férias.

Beijos sensuais a 15ºC de luz.


 


Por: Bárbara Argenta
De: Caxias do Sul – RS
Email: babi.argenta@gmail.com

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Estreias: ”Infância Clandestina” e eu.

14 dez
Primeiramente gostaria de mandar um beijo pra gurizada da Friday que deixou euzinha aqui com as estreias – cinema, um beijo pro motorista do ônibus que cantarolava Madonna hoje pela manhã, e um beijinho pra Xuxa, claro. É isso.



Bom, começamos hoje, aqui, nesse exato momento, mais uma colaboraçãozinha novata 2012/13: a dos comentários quinzenais sobre estreias no cinema. Comentários estes pessoais e intransferíveis da titia babi/bah/@babiargenta/+14 impublicáveis. 

Tá, não intransferíveis. Só pessoais mesmo.

A ideia é trazer informação sobre as produções independentes, hollywoodianas, bollywoodianas, outras tantas, e o que eles tem a nos oferecer. Sejam eles bons ou ruins, brasileiros ou estrangeiros, com ingressos caros ou muito caros, em cinemas agradáveis ou dividindo o espaço com fãs de RebelQUALQUER BANDA,  a gente vai dar uma assistidinha de leve pra saber o que está acontecendo com a nossa rica 7ª arte.



Começo com Infância Clandestina, uma coprodução Argentina-Espanha-Brasil, dirigida por Benjamín Ávila. A história (real, vivida pelo diretor do filme) percorre pontos da “rotina” de uma família unida por ideais, em seu retorno a Argentina durante o período ditatorial que o país enfrenta. A visão do jovem Juan/Ernesto, filho de 12 anos, é a apresentada. A família tenta mante-lo em uma rotina ~normal~ que inclui escola, namoradinhas e essas coisas de guri novo. Ao mesmo tempo, sua vida é cercada por cuidados, visto que a família (esta como instituição mesmo, é colocada todo o tempo em evidência durante o filme) é considerada ameaça por serem questionadores do governo vigente. São líderes militantes ativos, e suas ações pedem trocas de identidade, viagens camufladas, e locais seguros/escondidos. O desfecho… impressiona (no sentido literal mesmo da palavra). É lindo e impressionante. Sim.

A utilização dos grafismos, tipo HQ mesmo, em alguns momentos mais… tensos do filme, dão uma tônica que mescla a violência com as imagens de uma mente ainda jovem (apesar do histórico de vida do menino), e prende a atenção de quem assiste. Num todo a utilização desse recurso para a composição foi fundamental para constituir a sensação de quem deixa a sala após assistir o filme.

COISA LINDA. QUASE CHOREI.


Sério. Bom filme. Mesmo.


E prfv ficando até o fim dos créditos, sim?

Temos outras estreias também para estes dias.


Algumas norte-americanas, aquela coisa de Hollywood com as atrizes do tapete vermelho lindas/bem maquiadas/magras, com traços de humor e uma leveza em seus roteiros:
“A Escolha Perfeita” – Direção de Jason Moore
“Quatro amigas e um casamento” – Direção de Lesley Headland

“Na Terra de Amor e Ódio” em uma linha mais Jolie (roteiro e direção da própria Angelina Jolie, aliás) com as causas, história local, dramas regionais e paixão entre uma muçulmana bósnia e um militar sérvio. Quase fui assistir este, mas por horários não rolou. #chatiada

Amor. Rua. Marido. Uma chifradinha de leve (será? um chute apenas). Amor de novo. Canadá. Parece um bom filme pelo que li até agora… Parece bem leve também. Eis uma pedida agradável. Direção de Sarah Polley em “Entre o Amor e a Paixão” (o locutor do Vídeo Show seria a pessoa perfeita para ler isso).

“A Última Casa da Rua” é um suspense feat. terror, com direito a assassinos que moram na floresta ao lado da sua (caso você seja a adolescente Elissa), um bom bairro e sobrevivente. É dirigido por Mark Tonderai.

Em “A Sombra do Inimigo” temos mais um suspense. Rob Cohen dirige este, e trabalha com elementos investigativos na trama. Parece interessante…

E por hoje é isso, gente… 😉


Beijos de luz.



Por: Bárbara Argenta
De: São Paulo – SP
Email: babi.argenta@gmail.com

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