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O que são heróis, super-heróis, anti-heróis, vigilantes e mutantes? Parte II

11 set
Conforme o combinado na coluna da semana passada, eis aqui a conclusão do nosso papo: estávamos começando a falar de anti-heróis.
Não sei ao certo qual momento definitivo em que este estilo de personagem surgiu como elemento literário, mas o anti-herói tem evoluído ao longo do tempo, mudando assim como as concepções da sociedade mudaram em relação ao herói, desde os tempos Elizabetanos de Fausto e Falstaff [*] de William Shakespeare (entre os anos 1500 e 1600).


O que define o Anti Herói? Bem, ele é um cara que antes de mais nada te leva a um dilema pessoal, são personagens não inerentemente maus e que, às vezes, até praticam atos moralmente aprováveis. Contudo, algumas vezes é difícil traçar a linha que separa o anti-herói do vilão; no entanto, note-se que o anti-herói, diferente do vilão, sempre obtém aprovação, seja através de seu carisma, seja por meio de seus objetivos muitas vezes justos ou ao menos compreensíveis, o que jamais os torna lícitos. A malandragem, por exemplo, é uma ferramenta tipicamente anti-heroica, assim como a marra, a indiferença, a ironia, o desprezo pelas regras. Eu diria que são personagens muito carismáticos, novamente fugindo um pouco das HQ’s, vou tentar dar um exemplo amplo, atirando em todas as direções e com certeza você verá que curte também um anti-herói. Caras como Vegeta (Dragon Ball Z); Ikki (Cavaleiros do Zodíaco); Kratos (do game God of War), o “carismático” dr, House, trocentos personagens de Clint Eastwood em faroestes, assim como James Dean, que também vestiu bem esta carapuça em sua curta carreira, eles são típicos anti-heróis. Nas HQ’s nem precisamos ir longe para chegar em exemplos como o Justiceiro, o Wolverine, Deadpool, a ninja Elektra (por vezes namorada do Demolidor), para alguns fãs, ainda se encaixam neste perfil personagens como o Batman, Mulher-Gato um Lanterna Verde chamado Guy Gardner, o Lobo (mercenário intergaláctico popular nos anos 90) assim como o Hellboy, Sandman, Spawn, John Constantine, Juiz Dredd dentre outros tantos.


Sobre os Vigilantes, podemos descrevê-los como personagens que podem ou não ser anti-heróis, mas o simples fato de fazer o trabalho da polícia, é uma pratica questionável, pois geralmente não há fiscalização dos atos destas pessoas, elas não respondem a qualquer órgão legal, ou seja, ser super-herói é um ato de vigilantismo, um crime. Quando os autores de HQ’s perceberam esta situação, muitas histórias levaram ao limite personagens como Batman, Demolidor, Homem-Aranha, e principalmente o grupo de super-heróis retratado em Watchmen, um clássico de Alan Moore. 

Agradeço o carinho de quem acompanhou a matéria até aqui. Ufa, obrigado mesmo.
Semana que vem abordaremos os adoráveis, instigantes, imprevisíveis e populares vilões.

Esta nota abaixo é uma dica sobre literatura referente ao comentário que fiz lá em cima, ao citar Shakespeare, nos mostra como o anti-herói está muito próximo de nós mesmos.
Até a próxima.
* Nota: Falstaff ou ‘Jack Falstaff’ é um personagem criado por William Shakespeare e presente em várias de suas peças. É conhecido por ser um notório fanfarrão e boêmio. Em Henrique V, Falstaff é um dos amigos de adolescência do rei que, após a ascensão de Henrique ao trono, acaba sendo desrespeitado e abandonado pelo rei, assim triste e abatido morre numa taverna junto a antigos amigos. Em suma um sujeito bacana pra caramba.


Por: Anselmo Rodrigues
De: Cotia – SP
Email: anselmo@revistafriday.com.br

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Resenha – Batman: A Piada Mortal

13 ago

Você já deve ter percebido que a resenha dessa semana não é sobre um livro. Mas “A Piada Mortal” escrita por Alan Moore com os desenhos de Brian Bolland, publicada pela DC Comics originalmente em 1988 é um obra prima dos quadrinhos que não pode deixar de ser comentada. É considerada por muitos uma das melhores histórias de super-heróis já escritas.
A história começa com uma visita do Batman ao asilo Arkham para ter uma conversa com o Coringa e tentar estabelecer a paz de uma vez por todas. Entretanto, Batman descobre que o Coringa fugiu do Arkham e colocou um impostor em seu lugar. É a hora do Homem Morcego ir atrás do vilão e enfrentá-lo mais uma vez.
Acontece que o Coringa invade a casa do Comissário Gordon, atira na sua filha Bárbara (Sim, uma das Batgirls), deixando-a paraplégica. Em seguida, seqüestra o comissário e o leva para um esconderijo em um parque de diversões muito macabro. Em seu esconderijo o Coringa tortura Gordon de várias formas possíveis, inclusive mostrando fotos de Bárbara nua e torturada. Tudo isso com o objetivo principal de enlouquecer o comissário. Torturá-lo até o limite da sanidade. O Batman chega até o esconderijo e luta com o Coringa enquanto o questiona sobre seus motivos.
É aí que entra toda a genialidade desse enredo. Seqüestrando o comissário, o Coringa quis provar apenas uma coisa: A única coisa que separar os cidadãos normais de Gotham a ele é apenas um dia ruim. Sim, basta apenas um momento de intensa pressão psicológica para que o individuo escolha a loucura como uma forma de suprimir as lembranças ruins. Eis que surge o questionamento: Baseando-se nisso, qual a diferença entre o Coringa e o nosso herói Batman, que decidiu assumir nova identidade e combater o crime após presenciar o assassinato dos pais?
A Piada Mortal iniciou um novo estilo para os quadrinhos do Batman e de outros super heróis. As historias passaram a ser mais sombrias e seus personagens cada vez mais complexos e profundos. A origem do Coringa é contada nesse quadrinho e partir daí pode-se ver que há uma maior humanização do vilão, fazendo com que o leitor possa compreender melhor a mente desse criminoso e até mesmo entender os seus motivos. E claro que o herói também deixa de ser perfeito. Seus erros, imperfeições e até algumas decisões moralmente questionáveis aproximam o personagem do leitor.
Um roteiro adulto, bem trabalhado que se torna ainda melhor junto as artes sombrias de Brian Bolland, que consegue dar ao Coringa um ar ainda mais enlouquecido. A Piada Mortal é indispensável mesmo para os que não são fãs de quadrinhos.
 Recomendação pessoal: Ler Watchmen também de Alan Moore. Não tem como não falar em super heróis imperfeitos sem lembrar-se do personagem Comediante de Watchmen. Nessa obra, os heróis têm problemas éticos e psicológicos e vivem em um ambiente onde a convivência entre heróis e pessoas normais é comum. Mas muitos desistiram da vida de vigilantes mascarados ou estão marginalizados. Alias, qualquer coisa que Alan Moore faça, vale a pena ser lida.

Título: Batman: A Piada Mortal (Batman: The Killing Joke) Autor: Alan Moore
Arte: Brian Bolland
Cores:
 John Higgins
Editora: DC Comics
Ano: 1988 – Uma edição de luxo foi lançada em 2008

Número de páginas: 84

Por: Virgínia Fróes
De: Natal – RN
Email: virginia@revistafriday.com.br

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MovieTime – O Cavaleiro das Trevas

17 dez
Hoje estréia o “MovieTime”, uma área onde você poderá encontrar análises de filmes, desde os clássicos do passado até os sucessos de bilheteria do presente. E, para estrear com o pé direito, o primeiro sucesso analisado será um dos poucos filmes que ultrapassaram a marca de 1 bilhão de dólares em bilheterias no mundo, Batman – O Cavaleiro das Trevas.

Na sequência, O Cavaleiro das Trevas, podemos ver um Batman (Christian Bale) mais sombrio, que tenta combater um mundo onde há corrupção, roubos a bancos e mafiosos que dominam Gotham City. Nos Deparamos com um Batman buscando uma pessoa que possa fazer com que a vida de vingador, que ele sustenta, não seja mais necessária. Uma pessoa que deixe a cidade mais segura. É nessa parte do filme que, junto ao, até então tenente, Jim Gordon (Gary Oldman), ele encontra Harvey Dent (Aaron Eckhart – “Obrigado por Fumar”), um promotor que deseja limpar a criminalidade presente na cidade e fazer com que os cidadãos se sintam mais seguros.

Um filme que surpreendeu todo o mundo, principalmente pela atuação do finado ator Heathe Ledger (Ganhador do Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante, Globo de Ouro, o Bafta, o Oscar britânico, pelo mesmo trabalho e, anteriormente, indicado ao Oscar de melhor ator pelo filme “O Segredo de Brokeback Mountain”) , que fez, a considerada, melhor representação do Vilão Coringa. O Mordomo Alfred (Michael Caine) faz uma bela definição do anarquista Coringa:


“Porque alguns homens não procuram nada lógico, como dinheiro. Não são compráveis, ameaçáveis, razoáveis ou negociáveis. Alguns homens só querem ver o circo pegar fogo.”

Maximizando a atuação de todos os atores, o diretor Christopher Nolan produz um filme sucesso de bilheteria e referência na indústria cinematográfica, principalmente para os diretores que produziram filmes baseados em histórias em quadrinhos.

Agora, o maior desafio para Nolan será superar esse sucesso com o último filme da trilogia: Batman – O Cavaleiros das Trevas Ressurge, filme que tem estréia marcada para 27 de julho de 2012.