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Resenha – Batman: A Piada Mortal

13 ago

Você já deve ter percebido que a resenha dessa semana não é sobre um livro. Mas “A Piada Mortal” escrita por Alan Moore com os desenhos de Brian Bolland, publicada pela DC Comics originalmente em 1988 é um obra prima dos quadrinhos que não pode deixar de ser comentada. É considerada por muitos uma das melhores histórias de super-heróis já escritas.
A história começa com uma visita do Batman ao asilo Arkham para ter uma conversa com o Coringa e tentar estabelecer a paz de uma vez por todas. Entretanto, Batman descobre que o Coringa fugiu do Arkham e colocou um impostor em seu lugar. É a hora do Homem Morcego ir atrás do vilão e enfrentá-lo mais uma vez.
Acontece que o Coringa invade a casa do Comissário Gordon, atira na sua filha Bárbara (Sim, uma das Batgirls), deixando-a paraplégica. Em seguida, seqüestra o comissário e o leva para um esconderijo em um parque de diversões muito macabro. Em seu esconderijo o Coringa tortura Gordon de várias formas possíveis, inclusive mostrando fotos de Bárbara nua e torturada. Tudo isso com o objetivo principal de enlouquecer o comissário. Torturá-lo até o limite da sanidade. O Batman chega até o esconderijo e luta com o Coringa enquanto o questiona sobre seus motivos.
É aí que entra toda a genialidade desse enredo. Seqüestrando o comissário, o Coringa quis provar apenas uma coisa: A única coisa que separar os cidadãos normais de Gotham a ele é apenas um dia ruim. Sim, basta apenas um momento de intensa pressão psicológica para que o individuo escolha a loucura como uma forma de suprimir as lembranças ruins. Eis que surge o questionamento: Baseando-se nisso, qual a diferença entre o Coringa e o nosso herói Batman, que decidiu assumir nova identidade e combater o crime após presenciar o assassinato dos pais?
A Piada Mortal iniciou um novo estilo para os quadrinhos do Batman e de outros super heróis. As historias passaram a ser mais sombrias e seus personagens cada vez mais complexos e profundos. A origem do Coringa é contada nesse quadrinho e partir daí pode-se ver que há uma maior humanização do vilão, fazendo com que o leitor possa compreender melhor a mente desse criminoso e até mesmo entender os seus motivos. E claro que o herói também deixa de ser perfeito. Seus erros, imperfeições e até algumas decisões moralmente questionáveis aproximam o personagem do leitor.
Um roteiro adulto, bem trabalhado que se torna ainda melhor junto as artes sombrias de Brian Bolland, que consegue dar ao Coringa um ar ainda mais enlouquecido. A Piada Mortal é indispensável mesmo para os que não são fãs de quadrinhos.
 Recomendação pessoal: Ler Watchmen também de Alan Moore. Não tem como não falar em super heróis imperfeitos sem lembrar-se do personagem Comediante de Watchmen. Nessa obra, os heróis têm problemas éticos e psicológicos e vivem em um ambiente onde a convivência entre heróis e pessoas normais é comum. Mas muitos desistiram da vida de vigilantes mascarados ou estão marginalizados. Alias, qualquer coisa que Alan Moore faça, vale a pena ser lida.

Título: Batman: A Piada Mortal (Batman: The Killing Joke) Autor: Alan Moore
Arte: Brian Bolland
Cores:
 John Higgins
Editora: DC Comics
Ano: 1988 – Uma edição de luxo foi lançada em 2008

Número de páginas: 84

Por: Virgínia Fróes
De: Natal – RN
Email: virginia@revistafriday.com.br

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