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Resenha: Cidade de Ladrões – David Benioff

6 ago

David Benioff, nascido em 1970 nos EUA, é um escritor, roteirista e produtor televisivo. É famoso principalmente pelos roteiros de A Última Noite (2002), Tróia (2004), O Caçador de Pipas (2007), X-Men Origens: Wolverine (2009) além da adaptação televisiva dos livros para a série da HBO, Game of Thronesjuntamente com D.B. Weiss. Seu romance, Cidade de Ladrões, lançado em 2008, é um romance histórico de ficção em primeira pessoa onde um avô conta ao seu neto historias da sua juventude durante o cerco nazista a São Petersburgo.
            Lev Beniov é um rapaz de 17 anos, que por ser muito novo para entrar no exército, trabalha como bombeiro voluntário junto aos companheiros do prédio onde mora. Para ele, esse serviço é a sua forma de contribuir com a vitória dos russos sobre os alemães na guerra e mesmo que sua mãe e irmã tenham ido embora de São Petersburgo, Lev não quer abandonar sua cidade nem fugir de seu inimigo. Em um de suas noites de vigília, Lev e seus amigos encontram um cadáver de um para-quedista alemão e roubam dele diversos objetos. Entretanto, a policia encontra os garotos, mas consegue prender apenas Lev, que é escoltado para a prisão local, famosa por suas historias aterrorizantes. É lá que ele conhece Kolya, um soldado que foi preso sob a acusação de ser um desertor e ambos são levados a presença do Coronel. Ao contrário do que pensavam, não haverá pena de morte e sim um trato: O coronel deixaria os dois viverem se em dentro de cinco dias trouxerem uma caixa de ovos para fazer o bolo de casamento de sua filha.
Assim, mesmo contra todas as possibilidades, Lev e Koyla vão em busca de uma dúzia de ovos em uma cidade infestada por ladrões, crianças esfomeadas, prostitutas, cadáveres e até mesmo canibais. Uma cidade onde as rações dadas pelo governo são extremamente racionadas e as pessoas comem lama e cola de livros para sobreviver. Isso tudo sem mencionar a guerra e os implacáveis soldados nazistas.
Talvez para aliviar um pouco a situação ou mesmo para mostrar um pensamento adolescente mesmo em meio a tudo isso, Benioff nos apresenta a dupla de personagens principais como algo tão agradável que os diálogos entre os dois acabam se tornando grande parte do livro. Afinal, ambos estão andando por São Petersburgo (Na época chamada de Leningrado) praticamente sozinhos. Suas personalidades são bem contrastantes o que rende sempre bons momentos. Lev é tímido, inseguro, fechado e com um constante desejo de se tornar um herói mesmo que na maior parte do tempo se considere um covarde. Kolya é um tagarela que aparentemente não tem nenhum medo ou preocupação. Um dos medos constantes de Lev é que Kolya fale algo que os possa condenar a morte e isso sempre parece acontecer durante todo o livro. O passatempo favortio de Kolya parece ser falar sobre sexo e sobre um autor desconhecido chamado Ushakovo. Ele também está sempre importunando Lev em relação as mulheres ou ao xadrez, rendendo discussões sempre divertidas. Ao longo do livro, ambos passam por situação onde sua coragem, habilidades e até mesmo sua recém amizade são testadas
Não havia comida suficiente, não havia energia. Havia apenas a possibilidade de ser bombardeado a qualquer momento. Ou a possibilidade de morrer de fome ou frio. O cerco a Leningrado foi uma das situações mais trágicas enfrentadas pelo povo russo. Apesar de todo o sofrimento causado pela guerra, Cidade de Ladrões não proporciona uma leitura densa e complicada. As habilidades de Benioff como roteirista permitem que esse romance seja tão dinâmico como um filme, com a historia sempre fluindo de maneira que o leitor não consiga largar o livro.
Recomendação pessoal: Ler sobre o cerco de Leningrado. Pode parecer chocante mas Benioff conseguiu ser bem realista em muitos aspectos do cerco nazista sobre a maior cidade russa. É interessante dar uma olhada para ver como os russos e seu inverno ajudaram a derrotar os nazistas apesar das terríveis perdas civis e militares.

Título: Cidade de Ladrões (City of Thieves)
Autor: David Benioff

Editora: Alfaguara

Ano: 2008

Número de páginas: 296

Por: Virgínia Fróes
De: Natal – RN
Email: virginia@revistafriday.com.br

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