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A Procura da Espiritualidade

6 jul
Não busque a espiritualidade dos empresários do sagrado. 
Ela sofre com os aidéticos e as epidemias. 
Não se engane com a fisionomia alegre dos falsos espirituais. 
Ela não tem teto e vive a procura de um pedaço de terra. 

Não procure nos grandes templos. 
Ela perambula nas cracolândias da vida. 
Não fique decepcionado se não encontrar. 
Ela está nas lágrimas de sangue, suor e dor. 
Não busque este caminho espiritual nas nuvens. 
Ela caminha nos becos, vinhelas e favelas. 


Esqueça a espiritualidade da condenação. 
Ela se faz presente no olhar carinhoso e no aperto de mão
Apague os caminhos espirituais do fanatismo e da discriminação. 
Ela não tem sexo, religião, etnia, classe social ou política. 
Não exija uma experiência extraordinária. 
Ela acontece no ordinário da vida.  

Não pinte o seu rosto ou o seu caminhar. 
Ela vive com os índios, os negros e marginalizados. 
Não busque em livros ou ritos. 
Ela não se deixa aprisionar em teologias ou dogmas. 
Não tente aprisioná-la em crenças ou igrejas. 
Ela ultrapassa os muros da religiosa. 

Não tenha medo de procurá-la nas grandes metrópoles. 
Mas não se esqueça de contemplá-la na zona rural e nas aldeias. 
Veja o brilho dos seus olhos no verde das florestas e nas aves. 
Mas saiba ouvir o seu grito de morte na poluição dos rios.
Não busque uma espiritualidade silenciosa 
Ela grita na vida dos presidiários e drogados.


Não procure a espiritualidade nos templos televisivos. 
Ela caminha com o mendigo no silêncio da noite 
Fuja das promessas espirituais dos marqueteiros da religião
Ela silencia na dor dos índios e na saudade dos migrantes. 

Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita da Ordem do Carmo, estudante de Jornalismo da Fapcom – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação. 
– Contatos: Twitter, Site e Facebook
– Escrito no Convento do Carmo, São Paulo, 05 de julho-2012.

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Eu não acredito no Natal…

23 dez

Eu não acredito no Natal do consumo
Onde as palavras são comidas e repartidas.
Enquanto a presença na família não acontece.
Enquanto os irmãos se odeiam.
Enquanto o divórcio divide.
Enquanto o ódio cresce nos corações.
Enquanto o amor não é amado.
Enquanto o Menino Deus é abandonado.

Eu acredito, sim.
No Natal da solidariedade e do compromisso.
No Natal do perdão e do companheirismo.
No Natal do abraço sincero e amigo.
No Natal do sorriso e da alegria.
No Natal da simplicidade e da cumplicidade.
No Natal do diálogo e das verdades.
No Natal do olhar e do caminhar.

Eu não acredito no Natal dos pisca-piscas.
Enquanto as famílias continuam na escuridão.
Enquanto os jovens vivem a noite escura das drogas.
Enquanto as crianças não têm o pão na mesa.
Enquanto os anciãos são abandonados em abrigos.
Enquanto a natureza é destruída.
Enquanto as águas dos nossos rios são poluídas.
Enquanto vidas são podadas e massacradas.

Eu acredito sim
No Natal que nos faz renascer e crescer.
No Natal que destrói o ódio e a violência.
No Natal que nos valoriza e nos faz crescer.
No Natal que destrói a inveja e a falsidade.
No Natal da democracia e da ética.
No Natal que liberta e nos ajuda a lutar.
No Natal sem meias verdades e sincero.

Eu não acredito no Natal da mesa farta.
Enquanto acumulamos bens e somos corruptos.
Enquanto maltratamos o nosso próximo com palavras.
Enquanto não partilhamos o que Deus nos deu.
Enquanto apoiamos políticos e projetos faraônicos.
Enquanto fechamos os olhos para a fome.
Enquanto fugimos da nossa missão de pais e mães.
Enquanto temos medo de olhar para os crucificados.

Eu acredito, sim.
No Natal ecumênico sem fronteiras.
No Natal sem preconceito e sem cor.
No Natal sem raça e sem brilho.
No Natal sem neve e sem trenó.
No Natal que nos renova e nos faz renascer.
No Natal que reúne a família e nos faz irmãos.
No Natal sem embrulhos e sem disfarces.

Eu não acredito no Natal do Panetone e dos cartões.
Acredito sim, no Natal da partilha e da compaixão.
Eu não acredito no Natal do peru e das bebidas.
Acredito sim, no Natal da solidariedade e dos pobres.
Eu não acredito no Natal da neve ou da roupa fina.
Acredito sim, no Natal dos Pastores e da manjedoura.
Eu não acredito no Natal do Papai Noel.
Acredito sim, no Natal de Maria e de José.
Que este seja de fato e de direito o nosso Natal!

Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita da Ordem do Carmo, estudante de Jornalismo da Fapcom – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação. 
– Contatos: TwitterSite e Facebook
– Escrito no Convento do Carmo, São Paulo, 08 de dezembro-2011.