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Resenha: Misto-Quente – Charles Bukowski

8 out

Henry Charles Bukowski, foi um escritor e poeta nascido na Alemanha no ano de 1920 mas criado na América, onde faleceu aos 73 anos. Com uma infância difícil, uma adolescência árdua e uma vida adulta miserável, Bukowski encontrou na literatura e principalmente no álcool, uma forma de escape e também uma forma de mostrar a sua visão de uma sociedade que o rejeitava. Tendo Hemingway e Dostoievski como principais influências, Bukowski foi rejeitado inúmeras vezes por várias editoras que consideravam sua escrita suja, pornográfica e ofensiva. Escrevendo incansavelmente, bebendo descontroladamente e vivendo de pequenos empregos, Bukowski acabou por publicar seus textos e gradualmente acabou se tornando um dos autores favoritos de uma geração que precisava se identificar com os livros que lia.
Misto-Quente conta a história de Henry Chinaski, alter-ego de Buwowski e personagem que constantemente aparece em seus livros. Henry é alemão, mas veio para os EUA com apenas três anos. Seu pai é um homem autoritário que o espanca sem motivos e só se preocupa com a imagem de sua família enquanto sua mãe passivamente assiste. Henry sofre também na escola. Os outros garotos o odeiam e sempre batem nele. Os professores acreditam que ele não tem futuro nenhum e os únicos que se aproximam são aqueles tão perdidos quanto ele. Em casa falta dinheiro e sobra a repressão. Não existe nenhuma perspectiva para o futuro, há apenas a possibilidade de servir como mão-de-obra barata em um mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas. Rejeitado, excluído e maltratado, a única coisa que Henry pode fazer e se refugiar nos textos que escreve.
            A obra foi publicada primeiramente em 1982 e tem tantos traços autobiográficos de autor que é difícil afirmar com certeza o que é realidade e o que é ficção. Trata-se principalmente da falta de dinheiro, o gosto pela solidão, a crítica ao American Way of Life, brigas de adolescentes, a bebida, o cigarro e a escrita como válvula de escape. É impossível ser indiferente a Bukowski quando é possível se identificar com tantos pensamentos de Henry. Chinaski é amargo, cheio de solidão, raiva e tristeza e consegue exprimir isso de uma maneira única. Toda angustia de um adolescente obrigado a viver com um pai repressivo e uma mãe apática. Henry tem seus sonhos, desejos, sofrimentos e anseios e tenta sobreviver em uma sociedade embrutecida onde ele mesmo é considerado um excluído. Mas, Chinaski jamais aceita isso de cabeça baixa. Seja enfrentando os valentões da escola, seja tentando conseguir mais pontos no baseball ou até mesmo enfrentando seu pai dentro da própria casa, Henry através de seus textos tenta esvaziar tudo que há dentro dele e que teimosamente insiste em sair. Seus textos a principio são um fracasso de acordo com os editores. Mas Chinaski é simplesmente duro e raivoso demais para desistir com facilidade.
Uma leitura dinâmica, mas que consegue deixar os mais impressionáveis chocados. Mas nem tudo é tristeza e amargura.  A ironia acida de Bukowski e um humor que não pode ser nada menos que negro estão presentes sempre, rendendo algumas gargalhadas. É sujo e cru. É o clássico Bukowski.

Recomendação pessoal: Factotum também do Bukowski. O livro funciona mais ou menos como uma sequência de Misto Quente. Henry Chinaski está na vida adulta, tentando escrever, bebendo como nunca e sobrevivendo de bicos. Seus pensamentos não mudaram muita coisa então vale muito a pena ler.

Título: Misto-Quente (Ham on Rye)
Autor: Charles Bukowski
Editora: L&PM
Ano: 2005
Número de páginas: 316


Por: Virgínia Fróes
De: Natal – RN
Email: virginia@revistafriday.com.br

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