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A História dos Villas Bôas!

14 jan

Depois de tanto trabalhar em vários posts (um) durante todo ano de 2012, peguei umas merecidas e justas férias (só que não), e cá estou novamente para tratar dos assuntos “ambientalísticos”.
Durante este período de férias alguns de vocês, assim como eu, devem ter acompanhado ou ouvido falar, em meio aos especiais de final do ano da Globo, da exibição da microssérie de 4 capítulos intitulada XINGU. Pois esta série na verdade é um filme, de mesmo nome. O que a Globo simplesmente fez foi dividi-lo em 4 partes (parabéns, Globo!).
Acontece que uma semana antes da exibição dessa estranha versão adaptada, assisti o filme original, e gostei tanto do que vi, que me inspirei a contar a história dessas importantes – as vezes desconhecidas – figuras da nossa cultura e o que eles nos trouxeram de tão importante e valioso: a consciência da importância de preservarmos a cultura dos povos indígenas.
Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Bôas, três jovens de 27, 25 e 23 anos respectivamente, que perderam seus pais ainda muito cedo, com o segundo grau por concluir e trabalhando em importantes empresas da cidade de São Paulo, sentiam-se vazios, não eram da cidade grande, sonhavam com o interior e com o “verde”.
Em 1943, quando souberam da Expedição Roncador-Xingu, criada pelo então Presidente Getulio Vargas, com o intuito de explorar os locais inóspitos do Brasil Central a fim de levar a modernidade para a região, trataram de se inscrever, porém, não foram aceitos, somente sertanejos estavam sendo recrutados, pois estes eram vistos como mais fortes e resistentes do que o homem da cidade. Foi então que tiveram a ideia de se passar por sertanejos analfabetos. Deixaram a barba crescer e aparaceram maltrapilhos na Barra do Garça, local onde estava acontecendo o recrutamento. Prontamente foram aceitos. Conseguiram. Estavam dentro de uma aventura que perduraria por mais de 42 anos.
Pouco tempo depois de entrarem para equipe de desbravadores, os irmãos já haviam conseguido cargos de liderança, eles comandavam as equipes e lideravam os sertanejos. No decorrer de suas andanças pelo Brasil selvagem, os irmãos abriram picadas, se confrontaram com animais selvagens, plantas venenosas, malária, mortes, e o que os mudaria para sempre, os povos nativos. Enquanto os encontros com povos indígenas eram feitos, na maioria das vezes, de forma amigável pelos irmãos, mais de 4 postos militares e 19 áreas de pouso eram criadas ao redor de toda a região. Durante todo esse período mais de 1500 quilômetros de trilhas foram criadas, dando origem a 43 vilas e cidades. 5 mil índios foram identificados.
Durante o contato com os índios, Leonardo, o irmão mais novo, acabou se envolvendo com uma índia da etnia Kamayurá, esposa do chefe da Tribo. Este fato, juntamente com discórdias entre os irmãos, cominaram na saída do irmão caçula da expedição. Leonardo voltou para cidade juntamente com a índia e uma criança da qual não se sabe até hoje ser seu filho ou não. Em 1961, aos 43 anos de idade Leonardo morreu em decorrência de problemas cardíacos.
Neste mesmo ano, após muitos esforços e a aliança de pessoas influentes do meio político como Marechal Cândido Rondon, Darci Ribeiro e o Sanitarista Noel Nutels, os irmão promovem a criação do Parque Nacional do Xingu, este com 27 mil quilômetros quadrados, até hoje é considerado a reserva indígena mais importante das Américas. Atualmente no Parque, hoje chamado de Parque Indígena do Xingu, vivem mais de 6 mil índios, de 10 diferentes línguas em 18 aldeias.
Pelos feitos realizados em prol do Parque do Xingu, da qual chamavam de “Sociedade de Nações” os irmãos foram indicados ao “Prêmio Nehhu da Paz”, ao famoso “Prêmio Nobel da Paz”, entre muitos outros, inclusive diversas homenagens póstumas.
Em 1967, apoiaram a criação da Fundação Nacional do Índio – Funai. Em 1978, após 42 anos, a jornada dos irmãos chega ao fim, eles deixam o Parque do Xingu e vão para São Paulo, onde tornam-se assessores da Presidência da Funai. Durante este período sempre estiveram em apoio aos índios, realizando inúmeras conferências e visitas ao Parque. Neste mesmo período, os dois irmãos escreveram o livro A Marcha para o Oeste,relatando em detalhes tudo o que foi vivido para criação do Parque. No total escreveram mais de 12 livros e inúmeros artigos em jornais e revistas internacionais, inclusive a National Geographic Magazine.
Cláudio Villas Bôas faleceu em 1 de março de 1998 aos 82 anos de idade, em sua casa, o apartamento que dividia com Orlando, vítima de um Ataque fulminante no coração. Em 2000, Orlando foi demitido da Funai, o que gerou grande revolta por parte da população e exigiu inclusive uma retratação formal por parte do Presidente Fernando Henrique Cardoso. Já no final de sua vida Orlando começou a escrever a sua autobiografia, que só foi lançada após seu falecimento. Orlando Villas Bôas faleceu em 12 de dezembro de 2002, aos 88 anos, por falência múltipla dos órgãos.
Para encerrar deixo uma frase escrita por Orlando e que descreve perfeitamente a gana e vontade desses três irmãos preocupados com a cultura e a história desse país, atentos que o meio ambiente é a relação pura entre homem e natureza, e que para demonstrar isso não existe melhor exemplo do que eles, os índios.
As histórias e aventuras desses irmãos só puderam se escritas com o apoio do livro “Arraia de fogo” de José Mauro de Vasconcelos, que descreve com bastante detalhes as histórias e ao filme Xingu que serviu de inspiração para que eu pudesse escrever este post.

Abaixo, confira o trailer do filme, vale a pena assistir!

Espero que tenham gostado! Até semana que vem!


Por: Marcel da Silva
De: Blumenau – Santa Catarina
Email: marceljlsilva@hotmail.com

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Conexão Dublin: Curiosidades – Parte 2

18 out
Ponte Ha’Penny com seus inúmeros cadeados
Opa! Hoje finalizo as curiosidades com a segunda parte, mas nada impede que eu escreva sobre isto mais pra frente. Afinal, cada dia que passa, descubro algo novo e diferente aqui…

E lá vamos nós:

11 – Diferente de São Paulo, cidade onde morava, a vida noturna de Dublin tem hora de encerramento: 03:00 da madrugada. Com exceção de algumas lanchonetes 24 horas, a maioria dos pubs e baladas fecham exatamente às três da matina. Até me acostumar com isso, demorou um pouco… 

12 – Dublin possui várias pontes que ligam o lado norte ao sul, mas destaco a Ha’Penny Bridge. O nome é uma abreviação de “half a penny”, pois era cobrado meio penny para a travessia. À noite, o visual da ponte é maravilhoso e mega romântico. Se olhar com atenção, verá vários cadeados pendurados na Ha’Penny Bridge. Casais que querem selam o amor, escrevem seus nomes nos cadeados e os colocam nesta ponte. 

13 – Não há cobras aqui na Irlanda! Segundo a lenda, o Santo Patrício – ou Saint Patrick – teria expulsado todas elas, conduzindo-as até o topo de uma colina e fazendo-as cair no mar. A verdade é que, como a Irlanda é uma ilha, as cobras nunca chegaram aqui. Para vê-las, só se for no zoológico ou coleção particular.

14 – O contato com a natureza é constante. Basta ir ao parque e dar de cara com esta criatura lindíssima e fofa chamada esquilo. Poxa, como são bonitinhos pessoalmente. Além dos esquilos, é comum encontrar raposa atravessando a rua aqui em Dublin – em uma dessas madrugadas voltando do pub, quase morri de tanto susto quando vi uma delas correndo para o outro lado da rua. 

Coisinha mais fofinha *–*
15 – A Irlanda possui dois idiomas oficiais: o inglês e o gaélico – ou irish. Apesar de ser difícil encontrar alguém conversando em gaélico, os irlandeses aprendem o idioma desde crianças, na escola. 

16 – Beber álcool na rua? Nem pensar! Se a polícia te pegar com um gorozinho aqui, pode dar uma encrenca das feias, até ser preso. Mesmo assim, ainda vejo alguns corajosos bebendo cerveja nos parques ou nas ruas.

17 – Conheça o momumento Spire, localizado na O’Connell Street. O Spire – ou Spike, como alguns chamam – tem o formato de uma agulha e tem 120 metros de altura. Como está localizado bem no centro da cidade, o monumento vira um ótimo ponto de referência.

Spire visto da base para a ponta
18 – Aqui os mercados não tem sacolinhas plásticas gratuitas. Ou o pessoal traz alguma bag ecológica ou compra sacolas nos mercados. Cansei de ir para casa com leite, sucrilhos e até papel higiênico na mão. Isso é normal para eles!

19 – A Sexta-feira santa- chamada de Good Friday – é o único dia do ano em que não se pode vender bebida alcoólica no país. Como trabalho em um pub, menos um dia sem work =/


20 – Há uma joia típica irlandesa, um anel chamado Claddagh. As mãos indicam amizade, o coração simboliza o amor e a coroa representa a lealdade. Geralmente é usado como anel de casamento, mas também é possível achar o símbolo em brincos, pulseiras e colares.


O lindo anel Claddagh


E ai, o que achou da Irlanda? Consegui matar um pouco da curiosidade? 😉

Por: Mariana Perez
De: Dublin – Ireland
Email: mariana@revistafriday.com.br

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