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Conexão Qatar #4: Um mergulho na cultura árabe

5 mar
Lembro-me da minha primeira apresentação de escola como se fosse ontem.  
Confesso que nunca fiquei muito nervosa para este tipo de situação, porém, sei que existem inúmeras pessoas que tremem, se irritam, passam mal só de pensar em ficar exposta a um certo público. Bom, mas agora tudo era diferente. Sabia que em poucas horas teria que fazer uma breve apresentação do meu país para os estudantes Qataris, só que dessa vez, tudo seria dito e lido em ÁRABE!

Meu Deus, Oh Alláh, quem irá me proteger?
Nada de chorar, vamos nessa. 

Qatar Leadership Academy

Rumo a Qatar Leadership Academy, o quê? Calma aí, galera, eu explico: A QLA é uma das instituições mais respeitosas do Qatar. Um colégio militar que tem como lema as palavras: “Disciplina, honra e sabedoria”. Para variar a estrutura era magnífica. Fomos recebidos com uma dança típica do país, que envolvia uma curiosa música e um jogo de espadas, show!


Falcão na sala de visitas da QLA

Entro em uma sala toda decorada, noto algumas almofadas, tapetes coloridos, objetos típicos, um falcão, quadros, detalhes magníficos… UM FALCÃO? No meio da sala? Assim do nada? SIM! Com todo cuidado tive a oportunidade de segurar a ave em meus braços. O animal é treinado e tratado pelos estudantes e funcionários, algo incrível.

No mesmo dia andei de camelo, confesso que achava que eles eram bem mais dóceis (um deles quase me mordeu).

O tempo voa quando estamos fazendo algo que gostamos, com certeza, você já reparou nisso. Os sentimentais que me desculpem, mas com toda aquela correria e aquela ânsia de aprender coisas novas, ainda não havia tido muito tempo para me comunicar e de sentir falta de ninguém do Brasil. Quando eu notava já era de noite , já estava exausta. Minha apresentação foi concluída com sucesso, “Al-hamdu-lellah”. O friozinho na barriga já era algo do passado, que fase, que vida.

A hora mais feliz do dia , almoço na praia de Alanah-Anah

No dia seguinte fomos convidadas a irmos à praia de uma das estudantes. Isso mesmo, você leu corretamente, a praia era de fato da família de nossa colega. Foi uma honra. Fomos recepcionados de forma calorosa e para variar com muita fartura. A paisagem era linda. Nunca tinha visto uma água tão limpa. A areia era mais grossa e clara. Não havia quase nenhuma onda naquele mar, agora me recordo daquele barulho e daquela paz, que saudade. Neste mesmo local aprendi que molhar os pés e ficar na brisa do final da tarde, realmente, não resulta em algo legal. Meus dentes batiam de frio, minha boca estava roxa, no entanto estava de óculos escuros e na praia. Dá para imaginar? É um paradoxo tão grande que descrevendo assim parece até piada. Fui acolhida com uma manta e uma fogueira, acompanhada de pão quente e chá. O calor das pessoas ao meu redor era aconchegante. Lá tive a oportunidade de ouvir palavras que pretendo levar para a vida. Achava que por ler bastante sabia de diversos assuntos, mas percebi que não sabia de nada. Me ensinaram que um olhar visto somente por uma tela ou papel, não é nada real. Apenas quem vive aquilo pode nós contar o que realmente é. 


Entre diversas perguntas, desde religião até família, uma delas foi: Como vocês sabem que estão se casando com o homem certo?” – Já que a separação é má vista e não existe namoro no país –  me responderam deste modo: “Fácil, é só notar como ele trata as mulheres da vida dele. Se ele tratar bem a sua mãe, irmã, avó, ele há de te tratar bem também. Amar não é ficar falando coisas bonitas , é ter alguém que há de largar tudo quando você precisar, é cuidar de você”.

Parece simples lendo aqui, por vezes até meio bobo. Mas foi daí que comecei a pensar que nós ocidentais nos julgamos “moderninhos” e adoramos falar o quanto é rústico o modo de relacionamento no oriente médio, porém, somos tão modernos que nos esquecemos dos detalhes mais antigos de uma relação e assim trocamos de pessoas igual trocamos de roupa, porque ser moderno é ser sempre atualizado. NÃO.

Alanah-Anah beach

Apresentação de dança ( Por Débora Komukai)

العرضة ( Por Débora Komukai)

“Nossa , nossa , assim você me mata..”


Meu pensamento vai embora quando sou convidada a dançar. Lá descobri que não importa o ritmo musical, decididamente, não nasci com gingado. Risadas naturais me rodeiam, o sol já estava se escondendo, cerca de quinze mulheres de diferentes lugares estavam repartindo aquele único momento, aquela única música. O dia ainda prometia muito…


-انضباط
معرفة
ثرف

De cima para baixo
disciplina, honra e conhecimento.

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