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Livros morrerão ou não? Eis a questão

6 fev
E agora?!
Eram cerca de cem manuscritos que compunham a biblioteca da Universidade de Cambridge em 1427. Sim, apenas cem livros, mas que eram comercializados com valores que se assemelhariam à venda de casas de luxos. De repente, Gutenberg revoluciona o universo dos livros com a prensa móvel: assim, torna-se possível fazer muitíssimas cópias de uma mesma obra no tempo em que um monge levava para terminar um só manuscrito.

Só que… esta revolução acabou. E seu fim se deu justamente por uma nova borracha na história do impresso: o avanço do digital – que veio acompanhado da nossa amada internet. Hoje, com o advento dos tablets e smartphones, o número de indivíduos que trocam o jornal, por exemplo, por um aplicativo online aumenta gradativamente.
Contudo, aconteceu o que ninguém aguardava em relação à comercialização de livros: nada. Isso mesmo. A venda de livros não sofreu um arranhão diante da ascensão do mundo virtual. Muito pelo contrário. Depois do poderoso-chefão Google, o grande negócio online é a Amazon, site varejista que iniciou seu comércio como uma espécie de livraria – e ganhou sua versão brasileira em dezembro de 2012, versão esta que oferece, até então, apenas livros digitais E então nos perguntamos: por que os livros não morreram com toda essa tecnologia invadindo seu espaço?
A resposta é simples: ainda são poucas as pessoas que gostam de ler um livro inteiro – ou conseguem – na tela de um computador ou aparelho móvel. Parece que a melhor tecnologia à leitura profunda é o modo arcaico do papel branco com letras pretas. Sem contar que aqueles que gostam de ler sentem um afeto físico pelos livros. Afinal, curtimos tocá-los, virar as páginas e ver uma estante cheia. É como um fetiche.
Mas até quando isso durará? O grande medo de alguns e desejos de outros é de que surja algo que venha a substituir a atividade de ler livros. Assim como o DVD extinguiu o VSH e o CD, a fita-cassete; e hoje ambos geram dúvidas quanto ao tempo de vida que ainda terão.
É aí que lançam o famoso Kindle, da Amazon, em 2007. Você adquire um aparelho e baixa qualquer livro de um catálogo de milhares e milhares de títulos. Não é fantástico poder ler mais de duas mil obras em um objeto móvel de 400 gramas? Sim e não. O Kindle não é sensível ao toque. Torna-se chato apertar botões para trocar de página. Então chega o iPad, da Apple, para curar este problema. Mas não. O iPad não substituirá os livros. Isso porque sua tela de LCD faz com que seus olhos implorem por descanso longe da luz emitida pela tela e, portanto, será difícil – eu diria, por experiência, impossível – ler um livro todo.
Se alguma empresa conseguirá unir o que há de melhor na leitura de livros e de aparelhos móveis? Já tem gente trabalhando nisso, mas aguardaremos para saber a resposta. Enquanto isso, prefiro caçar blocos de caracteres jogados em papel, deitar em minha cama e mergulhar em uma boa leitura.



Por: Tatiane Gonsales
De: São Paulo – SP

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50 tons de… do que mesmo?

9 jan
“Você confia em mim? – Sua voz é ofegante.
Faço que sim com a cabeça, os olhos arregalados, o coração saltando, o sangue latejando nas veias. Ele põe a mão no bolso da calça e tira aquela gravata de seda cinza-prateada… Com grande agilidade…”.

EPA!
Todo mundo já sabe que mulheres no mundo inteiro estão hipnotizadas pela trilogia que mescla romance e suspense ao tratar de encontros eróticos entre uma jovem recém-formada na universidade e um bilionário misterioso.

Com mais de 65 milhões de cópias vendidas, a londrina E.L. James transformou “50 tons de cinza” em uma fantasia ao universo feminino. Até quando estou no (lotado) metrô aqui de São Paulo e olho à minha volta, é possível encontrar várias mulheres com a obra nas mãos e os olhos fixos em cada página. Sem contar que Hollywood já comprou os direitos autorais da autora para lançar adaptações cinematográficas da trilogia (será um filme para maiores de 18 anos?).

É diante deste sucesso que a picante história de Anastasia e Christian ganha suas versões com frangos e bonecas Barbies, adaptação gay, vira peça musical e até é encenada pela namorada do Justin Bieber!

 

“50 tons de frango”

Um livro de receitas? Isso mesmo! Aqui a trama perde seu tom sério e parte para o humor com essa obra que ganhou até um teaser com um homem de cueca amarrando um frango para assá-lo com muita, ahn, sedução (ou tentando seduzir…). Segundo a descrição do livro pela Amazon, “Cinquenta receitas de frango, uma mais sedutora que a outra, em um livro que vai tornar qualquer jantar excitante”. Preciso dizer mais alguma coisa?

“50 tons de gay”
O público homossexual ganhou diversas releituras de “50 tons de cinza”. Famoso na internet, o thriller erótico “50 shades of gay” substitui Christian Grey por Jude Kinsalle. Partindo para paródias, no YouTube encontra-se até versões em que uma mulher encanta-se perdidamente por um milionário muito afeminado…
“50 tons de Grayscull!”

Rápida paródia em que o comediante norte-americano Jimmy Fallon uniu falas do livro “50 tons de cinza” às bocas de personagens do famoso desenho “He-Man”. (Não há o que comentar além disso após assistir o vídeo…).

“50 tons de musical”

Várias mulheres de meia-idade em um clube do livro. A partir da leitura em grupo, surgem cenas quentes. Assim inicia a peça “50 Shades! The Musical”, que já passou por Edimburgo (Escócia), Chicago e Nova York com elogios de críticos.

Mas o musical pode arrancar revoltas de alguns fãs… Isso porque, nesta adaptação, alguns detalhes diante à versão oficial foram alterados. Por exemplo, Christian tem uma barriguinha de chope!
E ah, sem contar que apresenta 11 canções que são como sátiras ao ouvido do público, como “They Get Nasty” (algo como “Eles ficam safados” em uma tradução literal) e “I F*#$!” (é, isso mesmo…).

 


“50 tons de Selena Gomez”

Com produção em maio de 2012, “50 shades of blue” é uma paródia que conta com a namorada de Justin, Selena Gomez, para dar vida à uma solitária jovem que lê “50 tons de cinza” e se apaixona por um pintor de parede. Só que… Ao contrário do sedutor Christian Grey, o pintor (interpretado pelo comediante Nick Kroll) não tem nada de charmoso e muito menos algum interesse na garota que não larga de seu pé.

“50 tons de Barbie”

Até Barbie e Ken entraram na onda da trilogia: “50 shames of Earl Grey” (o título é referente a um estilo de chá) é protagonizado pelos bonecos e tem diálogos com tom exagerado.

 

 

“50 tons de terapia”

Produzido pelo canal brasileiro Parafernalha, o vídeo trata de um casal abordando sua experiência a um psicólogo especializado em terapia de casal após lerem “50 tons de cinza”. Confira:

 

Por: Tatiane Gonsales
De: São Paulo – SP

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5 livros para ler após sobreviver ao fim do mundo

27 dez
Enquanto algumas famílias compravam casas subterrâneas por US$ 80 mil que resistiriam até a bombas nucleares, nós estávamos aqui esperando o temido Plantão da Globo nos avisar de alguma catástrofe em qualquer parte do planeta no dia 21 de dezembro de 2012. Algum terremoto, o chão se abrindo, ondas gigantescas, alienígenas fazendo uma visita a nós, nevasca em São Paulo ou o Latino voltar ao Youtube.


Bem… Se você está lendo esse post, é porque não esteve (ainda) com o pé na cova!

Logo, não foi desta vez que tudo acabou. E como vitoriosos a mais uma profecia do término dos tempos, aqui vai uma lista de cinco livros inspiradores para ler após “sobreviver” ao fim do mundo.

 

 1) “Eu Sou a Lenda”, Richard Matheson (1954)
Acredito que o primeiro pensamento a rodear nossas mentes ao lermos esse título é… “Will Smith”. Isso porque o cinema já lançou três diferentes adaptações da obra, tamanho foi o sucesso da mesma!
Nova York é o plano de fundo dessa ficção científica que narra a história do único sobrevivente a uma epidemia viral. Todos os humanos afetados pelo vírus se transformam em seres semelhantes a vampiros (vampiros cruéis, longe de se espelharem em Crepúsculo); e, assim, o homem traça a luta pela própria vida para, sozinho, salvar sua espécie.
Confira um trechinho aí de “Eu Sou a Lenda”, que neste ano foi consagrado como O Melhor Romance Sobre Vampiros do Século pela Horror Writers Association:
 “Ele se deitou na cama e respirou a escuridão, torcendo para conseguir dormir. Mas o silêncio não ajudou muito. Ele ainda podia vê-los lá fora, os homens de rosto branco rondando sua casa, incessantemente procurando um jeito de entrar e chegar até ele. Alguns deles, provavelmente, agachados como cães, os olhos vidrados na casa, os dentes se mexendo devagar; indo e vindo, indo e vindo.”
2) “O Último Homem”, Mary Shelley (1826)
Escrito no século XIX, o livro avança no futuro e retrata o ano de 2100 aos olhos da mesma autora de “Frankenstein”.  Filho de uma nobre família que se afundou na pobreza, a trama conta a trajetória de Lionel Verney, o único a sobreviver a uma maldição que, aos poucos, destruiu a humanidade por meio de uma terrível guerra.
A tensão do livro já se inicia na introdução, feita a partir do relato de um autor desconhecido. Este diz respeito a um manuscrito encontrado em uma caverna, que seria escrito por uma sacerdotisa de Apolo, prevendo acontecimentos que destruirão o mundo em dois séculos posteriores (encaixe uma risada maléfica aqui).


3) “Ensaio Sobre a Cegueira”, José Saramago (1995)

Ok, neste livro o mundo não acaba. Famosa obra do querido autor português vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, a narrativa se desenrola quando um motorista parado no sinal vermelho do semáforo percebe-se cego. Isso porque o protagonista fora atingido por uma epidemia de cegueira que transformou a vida de todos em um caos.
Olha aí um pedacinho dessa descoberta que envolve todo o livro:
“Num movimento rápido, o que estava à vista desapareceu atrás dos punhos fechados do homem. (…) Estou cego, estou cego, repetia com desespero enquanto o ajudavam a sair do carro, e as lágrimas, rompendo, tomaram mais brilhantes os olhos que ele dizia estarem mortos.”
4) “O Pequeno Príncipe”, Saint-Exupéry (2006, 48ª edição)
Vamos fugir das epidemias e catástrofes agora. “O Pequeno Príncipe” é um clássico que já ultrapassa a marca de 6 milhões de exemplares vendidos.
O livro conta a história de um príncipe que surgiu do asteróide B612 e é encontrado pelo alter ego do autor da obra. O escritor conta ao pequeno sobre a pane de seu avião que o fez cair em pleno deserto do Saara e, a partir daí, o príncipe pede ao escritor que faça desenhos para ele a fim de demonstrar seu planeta.
Assim, a obra nos faz mergulhar em um mundo imaginário em que refletimos questões da vida real.
Recortei aqui uma famosa frase do livro:
“Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”
5) “Jogos Vorazes”, Suzanne Collins (2010)
Este é o primeiro livro de uma trilogia que fez tanto sucesso que até estourou em bilheterias pelo mundo com sua versão cinematográfica.
A trama acontece em Panem, uma nação formada por cerca de 12 distritos e comandada pela Capital, sede do governo. Diante ao país carente, a Capital demonstra seu poder com uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão: os chamados Jogos Vorazes. Um casal de adolescentes de cada distrito é selecionado e obrigado a lutar até a morte nestes jogos. O vencedor terá fama e fortuna. Todos os demais, morrem.
Para evitar que sua irmã mais nova seja vítima do cruel programa, a jovem Katniss se oferece em seu lugar. Para ganhar a luta, é preciso mais do que habilidade. O que cada jogador está disposto a fazer para ser o vitorioso? É em busca da resposta que a incrível narrativa se desenrola.

Por: Tatiane Gonsales
De: São Paulo – SP
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Lançamento: “O Pesadelo”, o quebra-cabeça que mexe com o terror psicológico

12 dez

(Cena do filme “O Hipnotista”. Foto: Reprodução)

Hey, como vão? Sou a Tatiane Gonsales, uma das mais novas integrantes da Revista Friday! A cada 15 dias deixarei aqui meu registro a respeito de lançamentos, best-sellers ou causarei polêmicas debaterei aspectos a respeito da Literatura.

O mês de dezembro chegou, trazendo as tradicionais festas de final de ano e a famosa brincadeira de amigo-secreto. E nessa troca de presentes, muitos colocam livros na lista de “coisas que eu gostaria de ganhar”. Então aí vai uma boa sugestão para presentear o colega, a namorada, o vizinho e a avó – e, claro, para quem não dispensa uma boa leitura nas férias -: o thriller policial “O Pesadelo”, que chegou às livrarias brasileiras em novembro.

A obra é a continuação do quebra-cabeça de Lars Kepler, o pseudônimo de um casal sueco que conquistou diversos leitores com o livro “O Hipnotista” e sua trama desenvolvida através dos olhos do detetive Joona Lima. Nesta primeira peça da coletânea, o policial investiga o estranho assassinato de uma família sueca. O único sobrevivente à cena do crime é um jovem de 15 anos; e aparentemente o assassino também o queria morto, afinal, o garoto possui mais de cem facadas pelo corpo! Para desvendar o massacre, Joona recorre a um hipnotista que não realiza trabalhos há dez anos e é acusado de ser antiético.
(Foto: Reprodução)
A história mexe com a imaginação por sua riqueza de detalhes em cada capítulo: há descrições fortes que nos levam a criar a cena perfeita do que está sendo relatado – o que tornou o livro um best-seller internacional. E estas descrições são mescladas a conflitos de relacionamento, questões familiares, cenas de sexo e surpreendentes ligações de fatos que, à primeira vista, não pareciam ter sentido algum!
Aliás, é essa a peça-chave da série que te envolve da primeira à última página: a surpresa. Em dado momento você, em sua concepção, tem a certeza de que tal personagem foi responsável pelo crime; após alguns capítulos, você aposta em outro personagem; e depois outro e outro. No final, não sabe mais quem deve apontar como assassino e… PÁ! O livro desvenda cada detalhe do crime de uma forma que você, com certeza, não havia imaginado.
O sucesso da obra de Lars Kepler foi tamanho que o livro ganhou sua versão cinematográfica! O filme foi lançado em setembro na Suécia e ainda não tem previsão para chegar ao Brasil (todos chora e torce, né?).Enquanto isso, dá para conferir o trailer:

 

Assim, “O Pesadelo” traz de volta Joona Lima, que agora é responsável por decifrar dois novos enigmas. O corpo de uma jovem é encontrado pela polícia dentro de uma lancha próxima ao arquipélago de Estocolmo – grande centro urbano e cultural da Suécia. Médicos afirmam que ela afogou-se ao constatarem seus pulmões cheios d’água. Porém, – tãn tãn tããããããn! – o barco está intacto e a garota, com corpo e roupas totalmente secas. No dia seguinte, um funcionário de alto escalão do governo aparece enforcado em seu apartamento ao som de uma música de violino; dizem que o mesmo suicidou-se, maaaas… O salão tem pé-direito alto e não há um móvel sequer que ele possa ter utilizado para subir.

Esta segunda obra de um grande quebra-cabeça tenta desvendar se há um vínculo entre estes dois crimes através da psicologia obscura de cada um dos personagens que revelam que, muitas vezes, temos de lutar contra nossas próprias motivações e medos.

O Pesadelo
Ano: 2012
Autor: Lars Kepler
Editora: Intrínseca


Por: Tatiane Gonsales
De: São Paulo – SP
Email: tatiane@hotmail.co.uk
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