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Começando de baixo

9 jan
Tudo na vida, me parece, é posto por alguma hierarquia. Na sua empresa, ó pobre estagiário, a pirâmide é gigante composta de bloquinhos que precisam ser conquistados pouco-a-pouco, sem frenesi, ao ponto de comemorar até reajuste salarial. A vida é assim, você nasce, cresce, se desenvolve, se reproduz e morre (não tão rápido), nossas necessidades seguem uma hierarquia, na igreja, no exército, na família, enfim, tudo hierarquizado e não podemos pular as fases, é contra a lei do desenvolvimento. Um Charmander nunca será Charizard se não antes for um Charmeleon. 
Mas o quê me intrigou nesse fim de ano (estamos no primeiro post de humor em 2012 \o/) foi observar que a hierarquia é válida também no mundo do crime. Pois é, eu, junto a duas amigas, fui assaltado por um ladrão jovem aprendiz acompanhado de outros 4 estagiários. Estávamos nós atravessando a passarela do Pq. do Ibirapuera (São Paulo – SP), já à noite, quando um grupo de 5 pequenos infratores com alma de Cacique num corpo de Tainá vieram pra cima de nós gritando aqueles clichês aprendidos em filmes nacionais “PERDEU PERDEU, PASSA A BOLSA, A BOLSA, PERDEU, ISSÈUMASSALTO” UOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOU, a adrenalina é muito incrível, nunca antes havia sido assaltado e na hora pensei em correr… pensei só, três passos depois do meu protótipo de fuga eu “repensei”: – putz, num posso correr, estou com as meninas; olhei ao meu redor, ainda na adrenalina do momento, e me deparei com uma pequena gafanhota vindo ao meu encontro gritando algumas palavras inaudíveis, um pouco atrás dela outra garota junto a um meliante sem ação/noção. Segurando uma das minhas amigas estava o jovem aprendiz com o dedo ameaçadoramente apontado na cabeça dela, prontinho para atirar caso ela reagisse e…
… … pera…
DEDO NA CABEÇA
?
WTF BANDIDINHO ?
Você tá me assaltando COM UM DEDO??
AVAPAPUTAQUEPARIU, fiquei bravo, pois todo aquele momento de adrenalina apoteótica caiu por água a baixo na velocidade de uma âncora. Sem mais o que fazer lá, peguei minhas amigas e fui embora. Os estagiários nada fizeram. No final das contas os únicos que levaram algo fomos nós… levamos o susto… mas levamos.

E sinceramente, espero que ele nunca seja efetivado. =/

Tá fácil não.
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Eu não acredito no Natal…

23 dez

Eu não acredito no Natal do consumo
Onde as palavras são comidas e repartidas.
Enquanto a presença na família não acontece.
Enquanto os irmãos se odeiam.
Enquanto o divórcio divide.
Enquanto o ódio cresce nos corações.
Enquanto o amor não é amado.
Enquanto o Menino Deus é abandonado.

Eu acredito, sim.
No Natal da solidariedade e do compromisso.
No Natal do perdão e do companheirismo.
No Natal do abraço sincero e amigo.
No Natal do sorriso e da alegria.
No Natal da simplicidade e da cumplicidade.
No Natal do diálogo e das verdades.
No Natal do olhar e do caminhar.

Eu não acredito no Natal dos pisca-piscas.
Enquanto as famílias continuam na escuridão.
Enquanto os jovens vivem a noite escura das drogas.
Enquanto as crianças não têm o pão na mesa.
Enquanto os anciãos são abandonados em abrigos.
Enquanto a natureza é destruída.
Enquanto as águas dos nossos rios são poluídas.
Enquanto vidas são podadas e massacradas.

Eu acredito sim
No Natal que nos faz renascer e crescer.
No Natal que destrói o ódio e a violência.
No Natal que nos valoriza e nos faz crescer.
No Natal que destrói a inveja e a falsidade.
No Natal da democracia e da ética.
No Natal que liberta e nos ajuda a lutar.
No Natal sem meias verdades e sincero.

Eu não acredito no Natal da mesa farta.
Enquanto acumulamos bens e somos corruptos.
Enquanto maltratamos o nosso próximo com palavras.
Enquanto não partilhamos o que Deus nos deu.
Enquanto apoiamos políticos e projetos faraônicos.
Enquanto fechamos os olhos para a fome.
Enquanto fugimos da nossa missão de pais e mães.
Enquanto temos medo de olhar para os crucificados.

Eu acredito, sim.
No Natal ecumênico sem fronteiras.
No Natal sem preconceito e sem cor.
No Natal sem raça e sem brilho.
No Natal sem neve e sem trenó.
No Natal que nos renova e nos faz renascer.
No Natal que reúne a família e nos faz irmãos.
No Natal sem embrulhos e sem disfarces.

Eu não acredito no Natal do Panetone e dos cartões.
Acredito sim, no Natal da partilha e da compaixão.
Eu não acredito no Natal do peru e das bebidas.
Acredito sim, no Natal da solidariedade e dos pobres.
Eu não acredito no Natal da neve ou da roupa fina.
Acredito sim, no Natal dos Pastores e da manjedoura.
Eu não acredito no Natal do Papai Noel.
Acredito sim, no Natal de Maria e de José.
Que este seja de fato e de direito o nosso Natal!

Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita da Ordem do Carmo, estudante de Jornalismo da Fapcom – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação. 
– Contatos: TwitterSite e Facebook
– Escrito no Convento do Carmo, São Paulo, 08 de dezembro-2011.