Arquivo | agosto, 2012

Um divã para dois

31 ago
Não sei se alguém com mais de 20 anos de casamento (além dos meu pais) lêem a minha coluna, mas fica aqui a pergunta: Qual a coisa mais diferente que você já fez para tentar salvar um relacionamento em crise?

Em “Um Divã Para Dois”, Meryl Streep é Kay, casada a 31 anos com Arnold (Tommy Lee Jones), um contador rabugento e com uma rotina tediosa, o que não deixa Kay feliz. Decidida a mudar esta situação, ela usa todas as economias que tem no banco para bancar um retiro em Maine, Califórnia, com um famoso terapeuta de casais (Steve Carrell).

A princípio, Arnold é contra, mas acaba cedendo ao pedido da mulher. Ao iniciar a terapia, o personagem de Carrell bombardeia o casal com perguntas incômodas sobre sua intimidade as quais acabam sendo refletidas no espectador. A partir daí, começa uma jornada de redescobrimento de Kay e Arnold como companheiros e sobre os desejos, anseios e fantasias de cada um.

Como já disseram por aí, “Meryl Streep poderia interpretar o Batman e ainda assim seria o certo”. A forma como ela vai da comédia ao drama em poucos minutos de filme é algo extraordinário. Tommy Lee Jones não fica atrás, arrancando boas risadas do público com o seu jeito grosseirão.

Dirigido por David Frankel (“O Diabo Veste Prada”, em 2006), “o filme é sobre a vida”, como já disse Meryl em uma entrevista. “Mostra como é possível viver com alguém durante um tempão e ignorar os problemas que começam a surgir. Para mim, essa ignorância cria uma ameaça dentro de casa.” (fonte)


Aproveita que o filme está em cartaz no cinema e boa sessão!

Elenco: Meryl Streep, Steve Carell, Tommy Lee Jones, Elisabeth Shue, Jean Smart, Susan Misner, Marin Ireland, Ben Rappaport, Brett Rice, Daniel Flaherty, Kayla Ruhl, Lee Cunningham, Patch Darragh.
Direção: David Frankel
Gênero: Comédia Dramática
Ano: 2012


Por: Natália Farkatt
De: Natal – RN
Email: natalia@revistafriday.com.br

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Brave New World

31 ago
Pois bem, chegamos à edição de estreia do artigo semanal musical legal visceral bacanal e original deste jovem rapaz que vos fala.
Devo admitir que passei alguns dias matutando sobre como sairiam essas matérias e como seria essa sessão, afinal, o que se pode esperar de um cara que ouve What’s Up – 4 Non Blondes enquanto busca inspiração? Pior, pra quem é lek piranha das internet e já andou dando uma boa fuçada na nossa querida revista eletrônica, vai notar que o autor do presente artigo se auto intitula “do rock n roll”, mas escreve isso aqui ouvindo ABBA.
– Injustiça, o player é que está em reprodução aleatória!
É isso mesmo, senhores. Mas, o fato é que, como diria minha amada vovozinha, o tempo ditará. Agora teremos muitas sextas-feiras gostosinhas juntos pela frente e nada nessa vida é linear, principalmente quando falta um dia pro fim de semana. Pode vir qualquer coisa pela frente. Podemos até falar sobre axé, pagode, funk e sertanejo por aqui, porque não?
– Mas Karlus, meu xuxuzinho norueguês com pistache, essa sessão não era sobre música?
Sim. Mas vá lá, nada nos impede de desviar do assunto um pouquinho. Hoje mesmo, inclusive e por exemplo, estava rolando uma conversa muito interessante com os coleguinhas da repartição. Falávamos sobre o fato de existir essa “nacionalização” dos problemas do mundo. De o zé povinho metido a pensador achar muito divertido dizer que no Brasil só faz sucesso artista apelativo, letras de duplo sentido e bundas balançando. É claro que Madonna, Britney Spears e 50 Cent, personalidades quase religiosas de tão pudicas, são exemplos de comportamento pras nossas criancinhas. 

Enfim, esse mundo tá de pernas pro ar mesmo. Mas vamos cortar esse papo moralista e voltar ao foco. Uma coisa que é possível garantir sobre esse meu cantinho na Friday (ou nosso, para os que se apegam mais rápido), é que não teremos regras. Você pode passar um mês lendo aleatoriedades sobre como os buracos que o Hetfield tem na cara se parecem com os meus, e se deparar, sem mais nem menos, com um artigo sério sobre a evolução do rock e sua influência na música mundial como um todo. Ou seja, é possível garantir que não garantimos nada. No fim das contas, não é essa a melhor forma de ser democrático?
Aguardem as próximas transmissões. Banzai.

Por: Karlus
De: Curitiba – PR
Email: karlus@revistafriday.com.br

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No Bar Sujo em 1987

31 ago
A história de uma garota gostosa que teve um fim trágico.
Foi em um barzinho de New Jersey, no Réveillon de 1987. Ela estava lá, trabalhando com seu uniforme de garçonete: avental, saia justa e um belo decote, deixando a vista boa parte de suas lindas pernas e seus deliciosos seios. Ela queria juntar dinheiro para melhorar de vida, pagar um curso superior talvez…
Já depois da meia-noite, estando ali já a bem mais tempo do que deveria, já não tinha mais paciência pra aguentar ser incomodada pelos bêbados que a chamavam de gostosa e cada bandeja de pedidos que ela entregava, era obrigada a sentir as mãos sujas daqueles bêbados nojentos em seu corpo. Mas pelo menos dessa forma, ela ganhava uma grana extra.
Mesmo se sentindo desejada por todos os homens, ela havia se cansado daquilo tudo e estava exausta. A gota d’água foi quando um palhaço (literalmente – ele trabalhava de palhaço) lhe jogou em cima da mesa, passou a mão em sua bunda e arrancou sua calcinha fio dental, jogando-a para todos os outros caras do bar, demonstrando tamanha escrotice que um amigo que estava com ele, cujo apelido era “Blondie” e tinha um amor platônico pela garçonete, resolveu defendê-la. Resultado: os dois saíram no tapa, quebraram umas garrafas, e moça tirou o avental soltou um “pra mim chega!” e foi ao banheiro se trocar pra enfim sair daquele inferno e poder voltar pra casa.
Mas ela não voltou.
Na manhã seguinte ela foi encontrada: MORTA, violentamente estuprada e cheia de marcas de facadas pelo corpo…

 O assassino? Bem, 25 anos se passaram e ninguém sabe ainda…
Poderia ser o sujeito medonho vestido de palhaço, querendo terminar a investida grosseira, e a apunhalado quando essa se negou à satisfazê-lo?
Poderia ser o Blondie? Que apesar de ter boas intenções, estava tão bêbado quanto os amigos e poderia ter se irritado com uma rejeição, já que devia achar que seu ato de bondade deveria ser recompensado?
O dono do bar que não aceitou a garota deixá-lo sozinho no meio daquele caos?
Ou algum personagem que deixamos de fora? Alguém que já poderia ter alguma história com a moça e provavelmente a queria morta por algum motivo?
Suspeitos não faltam, já que a garçonete costumava fazer horas extras no banheiro, pagando deliciosos boquetes para os que estavam menos chapados e dispostos a pagar mais pelo serviço, ou então nos fundos do bar, sentada na mesa deixando alguém chupar seus peitos.
Esta é apenas uma introdução. Nas próximas semanas vamos retomar este caso de inúmeros ângulos, levantar inúmeras hipóteses, com todos os detalhes sórdidos…
E não há ninguém que queira mais do que eu, resolver este mistério.
Afinal..
Eu era a garçonete.

Por: Blood Mary
De: Inferno
Email: blood_mary@revistafriday.com.br

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Conexão Dublin: Dublin Tall Ships 2012

30 ago
Bem vindo!
Final de semana passado, entre os dias 23 a 26 de Agosto, ocorreu o Dublin Tall Ships. O festival contou com a presença de vários veleiros e navios que passaram em outros países da Europa como França e Portugal. Além do mar, a diversão também estava nas ruas próximas do porto da cidade. Vários mini eventos marcaram Dublin como muros com grafites feitos ao vivo e o palco que trazia diversos artistas para animar a galera. 

Porto de Dublin cheio de veleiros e navios
Infelizmente fui apenas no sábado e domingo, sendo que, meu primeiro dia no evento foi regado de chuva. Apesar de ter ficado pouco tempo lá, consegui tirar várias fotos e, o melhor de tudo, entrei em um veleiro. Poxa, como o bicho é lindo por dentro! E como tem corda hein! Se eu fosse um dos marinheiros, tenho certeza que faria alguma besteira e cortaria a corta errada, caso precisasse haha

Olha ai as fotos do sábado, dia 25:

E para a alegria dos irlandeses – e dos estrangeiros como eu – o sol apareceu no domingo, último dia de festival. A calçada estava tão cheia de pessoas que me senti o Neo do filme Matrix. Aff maria!!! 

Desta vez, pude tirar APENAS fotos e não tentar equilibrar o ângulo da foto com uma mão e o guarda-chuva com o outro! Também fui até o final da rua para saber o que tinha de legal perto da entrada do porto. Só assim pude ver o navio G-I-G-A-N-T-E que ainda estava lá. Nossa, que vontade de viajar pelo mar naquele navio! Lembrou-me o Pérola Negra, do filme Piratas do Caribe.

No final da rua, próximo à entrada do porto, havia uma parte reservada para comidas, inclusive vegetariana. Como estava varada de fome, parti para a fila do hot dog gigante. O tempero da linguiça – ou salsicha? – estava maravilhoso. Meio apimentado, sabe? Apesar de custar 5 euros, valeu a pena para conhecer novas culinárias. O cheiro? Ahhh, igual ao churrasco brasileiro. *–*

Após o momento “fominha”, eu e meus amigos andamos em outras ruas paralelas ao porto de Dublin e encontramos mais atrações como pistas de skate e bike, grafiteiros e pequenos parques de diversões. 

As crianças se divertiam tanto com os brinquedos ali instalados quanto as pessoas que estavam fantasiadas de animais e insetos. Quanta criatividade! Encantavam até os adultos!

Para finalizar o evento – e o meu dia – encontro esta garotinha linda apontando a câmera para mim. O movimento dela sugeria algo como se estivesse tirando uma foto. Não resisti e fiz o mesmo! O resultado é este ai. Ela é ou não é uma graça?
Por: Mariana Perez
De: Dublin – Ireland
Email: mariana@revistafriday.com.br

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Acende a Minha Vela?

29 ago
Olá pessoas lindas que leem a Friday! Hoje é dia de teatro por aqui e vou falar sobre um musical muito bom, mas que poucos conhecem. Hoje vou falar de Rent.

“No day, but today.”

O musical é baseado na ópera de Giacomo Puccini, La Bohème, e conta com composições de Jonathan Larson. Gosto muito desse musical por que ele foge um pouco do padrão. Não são músicas tocadas por orquestras, com ritmos clássicos e repletas de violinos e instrumentos de metal. É um musical de rock. Isso mesmo! São solos de guitarra, ritmos rápidos e envolventes. Talvez por isso me chame tanta atenção. Ou talvez seja pelo fato de lidar com assuntos polêmicos como homossexualidade e AIDS. Só para vocês terem uma ideia, são sete personagens centrais, e com a exceção de Mark, todos têm AIDS ou são homossexuais (ou no caso de Collins e Angel, os dois).

Rent – Os Boêmios conta a história de Mark, Roger, Mimi, Maureen, Angel, Joanne e Collins. (lembrando que vou me basear no filme para fazer a resenha do espetáculo, ok?) Tudo começa com Mark e Roger, em plena véspera de Natal, recebendo um aviso de que se não pagarem o aluguel, serão despejados (Como vamos pagar o aluguel do ano passado, o desse ano, o do próximo ano? – Rent). Então Collins chega à casa dos amigos, mas, antes de entrar acaba sendo atacado por alguns arruaceiros. Já no dia seguinte, Collins chega totalmente recuperado e atribui seu bem estar a Angel, uma drag queen que o havia levado para casa. Angel então explica que faz caridade (Hoje para você e amanhã para mim! – Today For You, Tomorrow For Me) e que tem um grupo de apoio para pessoas com AIDSe assim, convida Roger para participar, mas este recusa. No dia seguinte, dia de Natal, Maureen, ex-namorada de Mark, pede que o rapaz a ajude a concertar os microfones que ela usará para fazer um protesto. Mark resolve ajudar Maureen, mas ao chegar ao local combinado, ele encontra a atual namorada de Maureen, Joanne, e os dois discutem a respeito de Maureen (Você finge acreditar nas mentiras que ela diz, porque no final, você simplesmente não consegue deixá-la – The Tango Maureen). Paralelamente a isso, Roger, que está no apartamento, conhece Mimi, sua vizinha, e eles acabam se interessando um pelo outro, embora o rapaz tente se esquivar da dançarina (Só há nós dois aqui, só há o agora. Esqueça os arrependimentos ou você vai perder o melhor da vida – (Mimi) Another Day). Conforme o tempo passa, Collins e Angel se apaixonam e vivem um belo romance (More na minha casa, seja meu inquilino, mas me pague com um milhão de beijos. Seja meu amor e eu te protegerei – I’ll Cover You) e Maureen e Joanne se separam por concluírem que nenhuma das duas dá valor ao que tem nas mãos (Me aceite como eu sou ou me esqueça! – Take Me Or Leave Me). Mas as situações só pioram quando o vírus consome Angel e os amigos se separam (Não acredito que ela se foi, não acredito que vocês estão indo. Não consigo acreditar que isso é o adeus (Collins) – Goodbye).

Gente, sério, esse é um dos musicais mais legais que eu já vi e eu super recomendo! Deixo vocês com um vídeo do momento em que o Roger e a Mimi se conhecem. Aí vai Light My Candle – Acende a Minha Vela (ã, ã, entendeu o nome do post agora?):

Dica de Hoje:

Para comemorar o centenário de Nelson Rodrigues, está em cartaz no Sesi a peça Boca de Ouro, com Marco Ricca!

A sinopse da peça, segundo o próprio site do Sesi, diz que o motorista do ônibus que Nelson Rodrigues costumava pegar, se orgulhava sempre de seus 27 dentes de ouro maciço, 24 quilates. Ele foi a inspiração para o dramaturgo contar uma história do submundo e do poder paralelo da contravenção. Boca de Ouro é o representante fiel da malandragem e da ginga carioca. Metido, cheio de bossa, o protagonista tem densidade psicológica, complexado por causa da sua origem humilde. Antecipando uma discussão que até hoje não tem fim, Nelson desvenda o processo metafísico da violência e da ambição pelo poder, numa lição construtiva e cada vez mais contemporânea.
A peça fica em cartaz até novembro, mas agora em setembro a peça será GRATUITA todas as quintas e sextas, às 20h30. O Teatro do Sesi fica na Avenida Paulista, 1313, perto do metrô Trianon-Masp. Lembrando que Nelson Rodrigues é cultura e você será uma pessoa muito melhor se assistir uma peça dessas! 

                             

Por: Ana Paula Cadamuro
De: São Paulo – SP
Email: anapaula@revistafriday.com.br

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HONRA ROCK

29 ago
Quatro meninos e um sonho: subir no palco e fazer acontecer. Isso define o verdadeiro sentimento da banda Honra. Com Diego (vocal), Pedro Maya (Guitarra), Lucas Bidran (Bateria) e Junior (Guitarra e Back Vocal), é formada a banda Honra. E os caras vem fazendo jus ao seu nome no cenário da música e mostrando a que vieram.

Todos os integrantes sentiram o desejo por fazer música desde muito cedo. Mas foi com Diego e Júnior que tudo começou, como nos conta Diego:

‘’Eu morava no mesmo condomínio do Junior, sempre fomos amigos desde pequenos, e também estudava no mesmo colégio que o Pedro e o Lucas. Todos nós sempre fomos apaixonados por musica, foi tudo muito natural, eles se conheceram e ficaram amigos muito rápido, e não tivemos duvida montamos a banda e estamos realizando esse sonho até hoje.’’

Hoje é impossível falar da Honra, sem lembrar do novo videoclipe deles, Sonho Real, que já ultrapassa a marca de 120 mil visualizações no YouTube. Aliás, uma produção muito bem realizada, com um jogo de luzes impecável!

E eles falaram sobre a gravação do videoclipe Sonho Real:

            ‘’Gravar o clipe de Sonho Real foi incrível, uma experiência marcante, e agora pretendemos fazer muitos shows, sonhamos em viver de musica, ter uma carreira consagrada e ir evoluindo até sermos grandes músicos. ’’

            E está muito claro que nos dias de hoje a popularidade na internet, por meio das redes sociais e do próprio YouTube, é o que tem levado muitas bandas para a TV. Questionei os garotos sobre isso…

            ‘’Uma coisa leva a outra, muitas visualizações no youtube te possibilitam mais chances de ir para a Mtv, e aparecer na televisão também te possibilita mais visualizações no youtube.’’

             Para mim é questão de tempo vermos o videoclipe Sonho Real na MTV. Seria algo que obviamente elevaria a trajetória da Honra a patamares altíssimos, porém reais.

             Agora, na real… Foi uma honra ter você como leitor e seria um sonho ver você na aqui na Friday novamente, mas pare de ler o meu texto e veja logo Sonho Real!

           

Conheça a Honra:


De: São Paulo – SP
Email: renanpagli@terra.com.br // 8kproducoes@gmail.com

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O que tem dentro de um gibi?

28 ago
Olá galera da FRIDAY! É sempre bacana poder falar de algo que gostamos, e História em Quadrinhos é um dos meios de entretenimento que mais me agradam. Sei que rola um certo mistério sobre o que leva um marmanjo a juntar pilhas e mais pilhas de papel muitas vezes por anos, mas na verdade não tenho a intenção mudar a opinião alheia sobre um cara com um gibi na mão, mas posso lhes dar uma ideia mais ampla sobre o que ele tem nas mãos.
 

Curiosamente as histórias em quadrinhos surgiram antes dos gibis e eram publicadas em tiras de jornais sensacionalistas de Nova York. Yellow Boy estreou ainda em 1895, e em pouco tempo todos queriam algo similar em suas páginas.
A popularização do gênero levou a criação de muitos personagens (Flash Gordon, Fantasma, Tarzan) mas com o tempo surgiu uma dificuldade: o quê fazer quando se perdia o jornal e por consequência um pedaço da história que era publicada ao longo da semana?

Aí alguém teve a puta sacada de reunir este material em uma revista. Pronto, a nona arte estava consolidada! O novo formato permitiu ainda mais liberdade aos criadores e logo mais, na virada dos anos 30 para os 40 surgiriam os ícones da indústria, personagens como Superman e Batman que abriram as portas para um gênero que se perpetuaria no imaginário popular, os dos Super-Heróis.

Sem muita referência senão a literatura, as histórias eram bem pesadas e era comum ver o Batman enfiando bala nos bandidos e o Superman quebrando braços ou arremessando um criminoso, mas levando em conta o público-alvo (jovens e crianças), reconsideraram e estabeleceram um padrão mais “moral” para os combatentes do crime, uma amenização que traria Robin, o primeiro de muitos parceiros mirins.

Esta facilidade de abordar os jovens não demoraria a chamar a atenção, e por vezes tornou os quadrinhos um veículo um tanto panfleteiro e não faltaram oportunidades de transmitir ideologias políticas contra o Nazismo, algo que foi muito recorrente nos anos 40.
Nos anos 50 um livro chamado “A Sedução dos Inocentes” levantou questões polêmicas para a época, com homossexualismo oculto nas histórias, além inúmeras “condutas” inadequadas segundo a ótica um tanto conservadora do autor do livro. Por consequência, os anos 50 e 60 foram talvez os anos mais estáticos em termos criativos.

Nos anos 70 a juventude estava em alta, a liberdade, as escolhas, o idealismo. Não demorou muito para isso parar no papel, Stan Lee e sua Marvel criaram mais que heróis, criaram espelhos, pois era muito fácil se ver em um dos democráticos personagens da editora: um jovem estudante e suas preocupações se pendurando em teias por Nova York; um doutor que por escolhas erradas se tornou um imenso gigante verde; um herói cego que defendia seu bairro vestido de demônio; o sugestivo Pantera Negra fazendo referência ao movimento negro norte-americano; jovens mutantes que não se enquadravam nos padrões da sociedade. 

 

Que sacada! Não demorou muito para a editora mais antiga, a DC Comics, permitir aos seus criativos autores ousarem também. Radicalmente, o Arqueiro Verde descobre que seu pupilo é dependente químico de heroína, levando o herói a entender que nem sempre basta prender o supervilão, é necessário entender a sociedade em que vivemos. Para isto decidiu convocar seu amigo Lanterna Verde a uma introspectiva missão Estados Unidos a dentro, abordando os mais variados temas sociais e aproximando mais ainda seus personagens da realidade. Nesta época também surgiria uma parceria que se tornou popular: Cinema e Quadrinhos, em 1978 a adaptação Superman chegava aos cinemas.

Realismo seria a palavra de ordem dos anos 80, a (talvez) época mais criativa do gênero. Sabemos que o medo vende. Se hoje o apocalipse e o terrorismo são explorados a exaustão pelo cinema com seus filmes-catástrofes, o temor deste período era a Guerra Fria entre EUA e União Soviética. O comunismo e/ou governos opressores eram perspectivas muito bem estruturadas nas mentes das pessoas, não por menos, os EUA tinham acabado de se livrar do presidente Nixon, o único que foi retirado do cargo, exatamente por defender práticas pouco democráticas.

Verdadeiros mitos da indústria surgiram com obras atemporais, políticas, densas, dramáticas. Alan Moore com Watchmen, V de Vingança, Monstro da Pântano e Constantine; Frank Miller com 
300, Sin City, Elektra Assassina, Demolidor (A Queda de Murdock) e Batman (O Cavaleiro das Trevas e Batman Ano 1) são apenas dois exemplos da época que redefiniu a forma como viríamos as histórias em quadrinhos. Pois se os autores anteriores haviam criado o ciclo de nascer, se desenvolver e até ter filhos, era chegada a hora de encerrá-lo, trazendo dor e morte às histórias. 

A pioneira foi a Fênix dos X-Men, seguida por muitas mais. Para ficar nos famosos, cito Elektra, Flash, Supergirl, Robin e mesmo não sendo uma morte, um tiro efetuado pelo Coringa prendeu a Batgirl a uma cadeira de rodas numa das obras mais marcantes da época, A Piada Mortal.

Uau, o que faltava para aproximar e atrair ainda mais leitores? A resposta foi dada por um grupo de desenhistas e roteiristas, que numa inciativa corajosa criaram uma editora independente, ou seja, sem restrições (inclusive morais).

Estes novos heróis, tais como Spawn, Witchblade dentre outros, ao contrário do que estávamos habituados, não tinham necessariamente boas intenções, tão pouco seguiam códigos de éticas e coisas do tipo, eram implacáveis, matavam e viviam intensamente as mais distintas situações. Este posicionamento fez um imenso sucesso e acabou fazendo a DC e Marvel redirecionarem seus esforços para também usufruir deste novo perfil de leitor.

Na Marvel, Wolverine foi alavancado a uma condição de astro, a máquina de matar dos X-Men foi protagonista de muitas histórias solo, principalmente por não ter pudor. Na DC, lar de heróis mais puritanos, surgiu um novo universo chamado Vertigo, onde Constantine, entre outros, abordavam temas mais pesados, como o citado ocultismo, vícios, morte e loucura.

Para os heróis tradicionais da DC não perderem relevância, medidas drásticas foram tomadas e histórias como: A Morte do Superman e A Queda do Morcego (onde Batman fica paraplégico) mostraram que as histórias em quadrinhos tinham que se superar em criatividade, pois dos anos 90 em diante, mais do que boas histórias, as pessoas queriam ser surpreendidas. E entre altos e baixos, o mercado sempre tem nos reservado boas histórias.

E na próxima semana, falaremos mais sobre o gigantesco universo das HQ’s. Até lá!


Por: Anselmo
De: Cotia – SP
Email: anselmo@revistafriday.com.br

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